31.10.14

Perigosa Atração - Capítulo 3

 

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Demi não se sentia muito confortável para conversar com Winnie a respeito de Joe, entretanto a curiosidade era invencível. Ele mesmo a havia avisado, dizendo que não valia grande coisa, mas sentia-se atraída do mesmo modo.
Ela sempre, até então, havia levado uma vida irrepreensível, nunca dera um mau passo. Talvez fosse por isso que um homem tão sensual e agressivo a fascinasse tanto.

- Você não pode envolver-se com ele - Winnie falou, quando, no dia seguinte, Demi começou a fazer-lhe perguntas.

- Ele não me parece um homem sem valor.

- Eu não disse que ele era. De fato, seria difícil encontrar alguém mais leal, com um caráter mais reto.

Mas desde que descobriu a verdade sobre o pai, ele pareceu perder a cabeça. Você ouviu o que Marie falou ontem, na festa, e ela não estava brincando. Joe não faz segredos sobre a única coisa que deseja de uma mulher e nos últimos meses tem bebido e farreado além da conta. Todos em Pryor sabem disso e, se você fosse vista com ele, sua reputação estaria arruinada. Eis aí porque eu não gostaria de vê-los juntos. Eu nunca me interporia à sua felicidade, Demi, porém Joe poderia lhe custar a sua respeitabilidade. E isso é algo que você não pode perder, especialmente por causa da sua profissão.

- Sim, eu sei. Você disse que Joe não sabia nada sobre o seu pai verdadeiro.

- Não. Ele tinha apenas quatro anos quando a mãe se divorciou e casou-se com Hank Jonas. Até seis meses atrás, quando o padrasto morreu, ele não sabia que era adotado.

- Pobre homem! Deve ter sido horrível descobrir a verdade assim.

- Tem sido muito difícil para todos. Dwight e Marie sentem por Joe o mesmo amor de antes, mas ele vê as coisas de uma maneira diferente e além do mais idolatrava Hank.

- Então é de se esperar que esteja tão amargo.

- Não é bem assim - Winnie falou secamente. - Esse seu coração sensível ainda vai metê-la em problemas. Eu não creio que Joe ainda possa se emocionar com alguma coisa e será capaz de magoá-la se você tentar se aproximar.

- Sim, eu sei. Senti isso também - Demi murmurou com um sorriso triste. - E eu não sou o tipo de mulher capaz de atrair um homem tão bonito, tão seguro de si quanto ele. Eu sou apenas... eu.

- Mas você não era você mesma na festa de ontem. Estava representando o papel de uma mulher sofisticada, experiente. Joe não tem idéia de quem você realmente é, e este tipo de segredo é perigoso de guardar.

- Todo segredo é perigoso de ser guardado.

- Amém. Então confie em mim e mantenha distância. Porém não subestime os seus atrativos, minha amiga. Você fica linda quando se veste com apuro e esse seu coração carinhoso atrai qualquer pessoa, mesmo homens como Joe.

- Mas nunca aconteceu algo assim antes. Bem, nunca atraí o tipo certo de homens.

- Qualquer dia desses o homem ideal aparecerá. Você o merece mais do que ninguém.

- Obrigada. E o sentimento é recíproco. Eu gosto muito do seu Dwight.

- Eu também - Winnie respondeu sorrindo.

- Depois do casamento vocês pretendem morar com Marie e Joe?

- Não. Há uma outra casa na fazenda, onde o avô de Dwight morava. Está sendo totalmente reformada e é para lá que iremos. Se você quiser, posso levá-la até o local, para dar uma olhada.

- Eu gostaria muito.

- Você está muito melhor agora do que quando chegou aqui, Demi. A dor diminuiu um pouco?

- Sim, graças a você e a sua mãe.

- É isso o que nós queremos. Logo papai estará de volta e poderemos passear pelos arredores. Você sabe que eu não sou uma grande conhecedora da área e mamãe não gosta de dirigir durante horas seguidas. Há muitos pontos históricos nesta região que merecem ser vistos.

- Eu sei, já li bastante a respeito.

As  duas  continuaram  conversando  sobre  alguns  possíveis  passeios  e  o  nome  de  Joe não  foi mencionado outra vez, embora não saísse dos pensamentos de Demi.
Nos dias que se seguiram eles se viram ocasionalmente e sempre por obra do acaso, que parecia querer aproximá-los.
Quando Winnie e ela visitavam Dwight na fazenda, Joe costumava aparecer e parar por alguns instantes, interessado na conversa que girava sempre sobre cavalos, gado ou rodeios.
Demi não entendia quase nada do assunto, mas tudo o que a interessava era ter a oportunidade de estar perto de Joe.
Ele notava a maneira com que ela o fitava e sentia-se perturbado. As mulheres sempre o haviam perseguido, mas havia algo diferente em Demi. Que ela se sentia atraída não havia a menor dúvida, entretanto parecia tímida demais para flertar abertamente, o que servia apenas para aumentar o seu interesse.
 Joe passou a procurar oportunidades de vê-la, embora dissesse a si mesmo que não pretendia envolver-se. Demi despertava algo dentro dele que jamais imaginara existir.
Às vezes sentia-se estranhamente irritado pelos sentimentos que vinha experimentando, porém tinha a impressão de que havia sido pego por uma avalanche que não conseguia fazer parar. Alguns dias depois da festa, Joe notou o carro de Winnie passar pela fazenda em direção a Pryor. Ao perceber Demi na direção, e sozinha, ele arrumou uma desculpa para ir à cidade, dizendo a si mesmo que precisava comprar cordas novas, embora soubesse que o estoque da fazenda estivesse muito bem fornido.
Foi assim que Demi e ele se encontraram, como que ao acaso, em Pryor. Ela estava comprando algumas linhas de crochê para a sra. Manley, enquanto Winnie se ocupava em resolver detalhes do seu vestido de noiva numa outra loja.
Joe se aproximou com as cordas novas nas mãos. O mau humor que o consumia tinha um nome: Demi. Todos os motivos pelos quais não devia se envolver com aquela garota saltavam-lhe aos olhos, pois ela era sinônimo de complicação, a última coisa que precisava na vida neste exato momento. A senhorita Alta-Sociedade não era o tipo de mulher que se adaptasse à vida numa fazenda e ele começava a sentir a passagem dos anos. As muitas mulheres com as quais costumava sair já não lhe atraíam mais e a idéia de uma esposa e filhos vinha-lhe à mente com maior freqüência.
Talvez filhos estivessem fora de cogitação, considerando o caráter do seu pai verdadeiro.
Além do mais, a sua reputação de mulherengo acabaria por dificultar a possibilidade de encontrar uma mulher decente que quisesse se casar com ele. É claro que não era assim tão fácil colocar freios no próprio interesse e ao ver Demi diante de si, ele não conseguiu evitar a reação imediata do corpo.

- Olá, Joe! Está pretendendo sair à procura de alguma ovelha desgarrada? - ela perguntou com um sorriso, apontando para acorda.

- Vim apenas comprar uma corda nova - ele respondeu irritado consigo mesmo por ter dito uma mentira tão óbvia.
- Oh! Você sabe preparar um laço?

- Esta é uma corda de náilon e tem outras utilidades - Joe falou secamente. - Você está sozinha?

- Não. Winnie veio comigo e está resolvendo detalhes sobre o vestido de noiva.

- O casamento deles será o acontecimento do ano.

Joe não conseguiu disfarçar o sarcasmo da voz. Dwight era um Jonas legítimo e havia herdado a parte do leão nos negócios, embora ele não pudesse se queixar de seu quinhão na herança. Entretanto, era difícil abrir mão da sua condição de primogênito de uma hora para outra.

- Você está magoado, não está?

A pergunta, feita com suavidade, o pegou de surpresa. Havia compaixão e compreensão naqueles olhos castanhos e ele não sabia se gostava ou não do que via.

- Você não tem que ir para algum lugar agora, Demi?

- Pelo seu tom de voz, suponho que você esteja querendo se ver livre de mim. Então é isto, estou sendo rejeitada - Ela falou com um suspiro teatral, tentando esconder a timidez atrás do humor. - Pode me deixar de lado, eu sei lidar com a situação.

- Sabe mesmo? - Joe murmurou, levando um cigarro aos lábios.

- Provavelmente não. Winnie me avisou para me manter afastada. Ela diz que você é muito mulherengo.

- É mesmo? Sua amiga está certa. Eu nunca fiz segredo dos meus pendores. Ou você esperava uma resposta diferente?

- Fico satisfeita por ter ouvido a verdade.

- Presumo, então, que nós dois façamos parte de uma minoria, já que a grande maioria das pessoas parece preferir as mentiras, não importando o quanto sejam óbvias.

Demi sentiu-se culpada por alguns momentos, uma vez que estava tentando se comportar como alguém que de fato não era. Mas só agia assim porque sabia que o seu eu verdadeiro não poderia atrair aquele homem.
Joe percebeu a mudança de expressão no rosto de Demi e ficou intrigado, mas antes que pudesse fazer qualquer comentário, reparou que Winnie se aproximava.

- É melhor que você se vá. A sua guarda-costas está a ponto de vê-la conversando comigo. E não lhe dará sossego durante o resto do dia se nos ver juntos.

- Você se importaria com isso?

- Sim, em atenção a Dwight. Não quero me indispor com Winnie antes mesmo do casamento - Joe riu com sarcasmo antes de continuar: - Há tempo de sobra para isso depois.

- Você não é esse mau caráter que finge ser.

- Não acredite nisso, doçura. É melhor que você vá agora.

- Está certo. Vejo-o qualquer dia desses.

- Claro.

Joe caminhou até o jipe sem olhar para trás. Ter ido à procura de Demi havia sido um grande erro. Ela era a melhor amiga de Winnie e sua futura cunhada estava determinada a impedir um relacionamento casual entre ambos.
Era preciso manter a cabeça fria, pois já tinha problemas suficientes na sua vida.
Demi estava aparentemente tranqüila ao se encontrar com Winnie, que parecia não caber em si de satisfação.

- Meu vestido vai ficar lindo! - ela falou com entusiasmo. - Você estava conversando com alguém?

- Nada de importante. Já comprei as linhas para a sua mãe - Demi respondeu mudando de assunto.

Winnie aceitou a explicação e ambas voltaram para casa sem tocar no nome de Joe.
Entretanto, Demi não conseguia esquecê-lo e quando dois dias depois ela e Winnie foram convidadas para um jantar na casa dos Jonas, não pôde deixar de pensar que talvez o destino estivesse trabalhando a seu favor.
Na noite do jantar Demi decidiu usar um vestido cinza claro de gola alta e como complemento apenas um cinto delicado.
Embora não se tratasse de um modelo sexy, seu corpo bem-feito ficava em evidência. Os cabelos presos num coque simples e a maquiagem suave davam o toque final de elegância. Sua aparência era bem menos sofisticada do que a do dia da festa, o que não deixava de ser intrigante.

- Você está ótima - Winnie comentou. - E esta noite, por favor, não tente parecer o que não é.

- Por quê? Você espera que Joe Jonas mantenha distância de mim se me ver como eu realmente sou: uma mulher antiquada?

- Eu não estou tentando ser chata, Demi. Só não quero vê-la magoada. Joe... tem andado tão diferente.

- Como era ele antes?

- Alguém muito divertido - Winnie respondeu sorrindo. - Sempre teve um olho comprido nas mulheres, porém era mais sutil. Agora está indiferente e parece não ter consciência, não se importando em ferir as pessoas.

- Eu não creio que Joe viesse a me magoar.

- Não aposte nisso. Você acredita demais nos outros. Há gente que não tem escrúpulos.

- Não penso assim. Não depois de ter presenciado tantas coisas na minha vida. Muitas vezes a beleza se esconde nos lugares mais terríveis.

Winnie não sabia o que mais dizer à amiga. Provavelmente seus avisos não surtiriam efeito. Só lhe restava torcer para que Joe estivesse ausente ou, caso se encontrasse em casa, demonstrasse um interesse genuíno em Demi.
Estava anoitecendo quando as duas chegaram à casa dos Jonas.

- Vocês estão adiantadas - Marie falou, parecendo bastante alterada ao abrir a porta para as convidadas. - Oh, Deus! Será que uma de vocês sabe alguma coisa a respeito de primeiros socorros? Dwight deu um pulo até a cidade para comprar vinho e Joe está com um corte profundo no braço. Eu não sei o que fazer...

- Onde está ele? - Demi perguntou num tom de voz seguro e profissional. - Eu sei o que deve ser feito.

- Graças a Deus! - Marie murmurou levando-as em direção aos quartos.

- Acho que vou esperá-las na sala de estar, se vocês não se importarem - Winnie falou. - Eu não sei como poderia ajudar.

- Então você não ficará sozinha - Marie apressou-se a dizer. - Eu também não posso ver sangue. Ele está no banheiro daquele quarto. E dá para ouvi-lo praguejar.

Demi entrou, um pouco hesitante, reparando no ambiente sóbrio ao redor. A decoração era em tons terrosos e poucos móveis dominavam o ambiente: uma escrivaninha, duas poltronas junto à lareira e uma cama de casal enorme.
Como a porta do banheiro estivesse entreaberta, ela entrou. Joe estava de pé junto à pia, sem camisa, e tendo num dos braços um corte que ia do cotovelo ao pulso. O sangue jorrava sobre o mármore.

- Vai precisar de pontos - ela falou.

- Que diabo você quer aqui? - ele retrucou com raiva, os olhos verdes faiscando.

Demi se aproximou, tentando não fitar o corpo musculoso e viril que a deixava sem fôlego.

- Marie e sua futura cunhada estão à beira de um ataque de nervos, mas eu não. Deixe-me ver o ferimento, por favor.

Logo ela estava limpando o corte com um desinfetante e passando pomada de penicilina.

- Imagino que você se oporia se eu sugerisse uma ida ao hospital?

Joe a fitou com intensidade, tomado por emoções desencontradas.
Havia planejado não estar em casa quando Winnie e Demi chegassem para o jantar. Só que não imaginara ferir-se quando, em vez de prestar atenção no que estava fazendo, deixara a mente vagar, os pensamentos centrados em Demi.
Ela tentava ignorar as batidas aceleradas do próprio coração, lutando para esconder o nervosismo. Joe, por sua vez, também tinha o pulso alterado e a respiração rápida.

- Pelo menos parou de sangrar. Será que você tem curativos prontos?

- O quê? - ele murmurou sem deixar de fitá-la.

- Curativos... Não tem importância, eu posso usar este material aqui.

As mãos dela estavam frias sobre a sua pele quente e ele não podia deixar de notar o quanto Demi demonstrava segurança no que fazia.

- Você já fez isso antes, não é mesmo?

- Oh, sim, muitas vezes. Estou acostumada a tratar de pessoas.

- Obrigado. Estou me sentindo melhor.

- Como foi que você se cortou?

- Eu virei para a esquerda quando deveria ter me virado para a direita, doçura. Agora que você já cuidou deste ferimento, será que poderia dar uma olhada neste outro aqui?

- Qual?

Joe apontou para um corte pequeno no peito e que ainda sangrava.

- Acho que sua camisa está acabada - Demi murmurou, tentando esconder o tremor das mãos ao tocar o ferimento.

Era bom sentir a pele quente daquele homem sob os seus dedos. Ele estava ferido e ela não podia correr o risco de perder o controle, entregando-se às emoções que tanta proximidade despertava.

- A camisa e a jaqueta também - Joe falou em voz baixa, sentindo o corpo responder ao toque de Demi. - Mas se você pretende pôr algum curativo aqui, é melhor esquecer.

- Acho que... que tirar o curativo depois pode ser doloroso, por causa destes... pêlos todos.

A maneira com que ela falou foi levemente excitante. Joe passou a mão no peito, enquanto dizia:
- Então apenas limpe o corte, querida, e não faça mais nada.

- Está bem.

Querida.
Nunca, homem algum a havia chamado assim com uma voz tão profunda e sensual.
Ela tomou a pomada e a passou sobre a área machucada em movimentos suaves, parando no instante em que sentiu Joe ficar tenso.

- Está doendo? - Demi perguntou baixinho, intrigada pelo brilho daqueles olhos verdes.

- Não da maneira que você está pensando - ele respondeu secamente.

Joe sentia o corpo rígido de desejo, mas não podia permitir que nada acontecesse. Tinha que dar um paradeiro naquelas emoções e o melhor era que fosse já.
Mas Demi tinha a fragância de flores e o toque delicado sobre a sua pele nua parecia embriagá-lo. Sem que se desse conta, pressionou os dedos dela sobre o peito, fitando-a com intensidade.
Ela parecia mais jovem hoje, vestida com simplicidade. E ele a apreciava ainda mais assim do que metida no vestido sexy da noite da festa. Esteve a ponto de dizer isso, porém conseguiu calar-se a tempo.

- Já... parou de sangrar - Demi sussurrou, fitando-o nos olhos.

- Sim.

Joe acariciou a mão dela, fazendo-a deslizar sobre o seu peito, deixando-a perceber o efeito que esta carícia suave produzia em seu corpo.

- Joe... - ela murmurou, sentindo o coração pulsar com violência.

Ouvi-la dizer o seu nome com a voz sumida o fez perder a cabeça. Sem deixar de fitá-la ele se inclinou lentamente, com um único pensamento: beijar os lábios entreabertos que pareciam convidá-lo. Ela nem mesmo tentou fingir uma pequena resistência.
Demi queria ser beijada quase que com desespero. Nunca homem algum a havia atraído tanto. Ao menos uma vez, queria sentir o gosto de Joe. Ao menos uma vez...
Demi fechou os olhos entregando-se ao momento, seus lábios quase se tocando.
E então uma voz feminina quebrou o encanto, rompendo o silêncio carregado de emoção.

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olá! td bem? eu vou bem... gente, minha vida está uma loucura! td hard '-' ESSA PESSOA QUE INTERROMPE UM MOMENTO DESSES DEVE SOFRER DE ALGUMA COISA -nnnnn só no próximo p vcs descobrirem sz COMENTEM! Respostas aqui' bjs, amo vcs <3

30.10.14

Perigosa Atração - Capítulo 2


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- Você tem certeza de que eu estou bem assim? - Demi perguntou, olhando-se no espelho com expressão preocupada.

Winnie havia lhe emprestado um vestido tomara-que-caia para a festa daquela noite na fazenda Jonas. e ela o estava achando um pouco ousado demais.

- Pare de se preocupar! O vestido não é assim tão decotado, mesmo para os padrões de Pryor. Você está ótima e só se sente estranha porque esteve, por algum tempo, fora de contato com a moda.

Demi suspirou e olhou para o espelho mais uma vez, tendo dificuldade para se reconhecer na imagem refletida. Seus cabelos longos e negros haviam sido deixados soltos e caíam sobre os ombros em ondas suaves, numa moldura perfeita para o rosto delicado. Resolvera também passar rímel, blush e um pouquinho a mais de batom do que o habitual, obtendo um efeito encantador. O vestido justo, em tons de verde e preto, acentuava as linhas perfeitas do seu corpo esguio e lhe dava um ar sofisticado. Sandálias pretas, de salto alto, davam o toque final de elegância.
Winnie costumava participar de desfiles promovidos por uma das butiques da cidade, tendo aprendido inúmeros truques de beleza, sendo capaz de tirar partido dos pontos positivos e disfarçar as pequenas imperfeições do rosto e do corpo. E fora com extrema satisfação que ela usara seus conhecimentos para vestir a sua amiga nesta noite.

- Eu sempre soube que você ficaria uma beleza se usasse a roupa e a maquiagem adequada! – Winnie exclamou com alegria, observando a figura de Demi. - Estou satisfeita que me tenha, finalmente, deixado arrumá-la. Você terá todos os solteiros da festa aos seus pés. Dwight tem um amigo muito simpático. Espero que ele apareça.

- Eu também - Demi respondeu rindo, embora seu pensamento estivesse num outro homem muito especial, alguém cujas atenções ela gostaria de receber.

Embora não soubesse que tipo de problemas Joe vinha enfrentando, só o fato de sabê-lo magoado  enchia o seu coração de ternura. Não é bom estar sozinho quando se enfrenta alguma dor.

- Você está linda, Demi, acredite em mim - Winnie foi falando enquanto puxava a amiga para a sala de estar, querendo exibi-la. -Mamãe, olhe o que eu fiz com Dem! - A sra. Manley, uma mulher alta e com os cabelos grisalhos, sorriu diante do entusiasmo da filha:

- Mas que mudança! Você está uma verdadeira beleza, Dem. Gostaria que seus pais pudessem vê-la.

- Sim, eu também, sra. Manley.

- Desculpe-me, eu não quis entristecê-la. Sua mãe e eu fomos grandes amigas por mais de trinta anos e se estes últimos tempos têm sido difíceis para mim, imagino como têm sido para você.

- A vida continua - Demi respondeu tentando parecer despreocupada. - Este vestido não é um sonho? Quero lhes agradecer, outra vez, por terem me recebido aqui. Não sei o que faria, ou para onde iria, se não fosse por vocês duas.

- Tenho certeza de que você tem muitos amigos além de nós, embora eles estejam espalhados pelo mundo afora - Winnie falou abraçando Demi. - Mas eu continuo sendo a sua melhor amiga, não é? Lembra-se de quando estávamos na escola, em Bisbee, e tínhamos que subir a montanha todos os dias para voltarmos para casa depois da aula?

- Às vezes sinto saudades do Arizona - Demi murmurou.

- Eu não - a sra. Manley interveio. - Costumava ter pesadelos nos quais caía do alto das montanhas. Foi bom quando meu marido decidiu aceitar a oferta de um novo trabalho e nos mudamos para cá. É claro que se eu soubesse que ele precisaria passar grande parte do tempo viajando pelo mundo, teria pensado melhor no assunto. Ultimamente ele quase não pára em casa.

- Mas papai irá se aposentar no ano que vem.

- Sim, eu sei, Winnie. Bem, acho melhor que vocês duas se ponham a caminho já, ou chegarão atrasadas. A festa é na casa dos Jonas?

- Sim - Winnie sorriu. - Só espero que Dwight não desista de mim e resolva fugir com Dem.

- Sem perigo. Vocês já estão noivos - Demi respondeu com um ar divertido.

Winnie dirigiu até a fazenda. Demi sabia dirigir também, porém não possuía uma carteira de motorista atualizada, já que nos últimos dois anos não havia precisado de carro.

- Lembre-se do que eu lhe disse, Demi, e não chegue muito perto de Joe. Embora não creia que ele irá se aproximar de você, já que parece não se entusiasmar com mulheres inexperientes. Eu não estava brincando quando falei que ele é um homem perigoso, envolvente, vivido. E atualmente parece estar fora de si.

- Ele não pode ser assim tão difícil.

- Não creia nisso. Tenha cuidado.

- Está bem, terei cuidado - Demi prometeu cruzando os dedos atrás das costas. - Afinal Joe é um homem amargo porque foi rejeitado por alguma mulher ou porque foi uma criança maltratada pela mãe?
- As mulheres não costumam rejeitar Joe, muito pelo contrário, e a mãe dele foi uma santa, segundo as palavras de Dwight. De fato, a sra. Jonas era adorada por todos da cidade e morreu há dez anos. O pai... era um fazendeiro com um coração que não cabia no peito e morreu há seis meses. Aquele foi um casamento feliz.

Demi percebeu a hesitação na voz de Winnie ao tocar no nome de Hank Jonas, só que não entendia o porquê.

- Então você sabe o que há de errado com Joe?

- Sim. Mas não posso dizer-lhe. Não é um assunto que me diga respeito e Dwight já foi perguntado sobre isso um milhão de vezes, pela cidade inteira. Não quero parecer indelicada, pois eu confio em você. Entretanto, este assunto diz respeito apenas a Joe.

- Entendo.

- Não, você não compreende. Porém Dwight poderá lhe contar algum dia, ou então, Marie.

- Marie se parece com Dwight ou com Joe?

- Ela  tem  o  tipo  físico  de  Dwight:  loura,  olhos  azuis.  Joe é...  diferente.  Mais  cabeça  dura. Temperamental.

- Tive essa impressão. Ele nunca sorri?

- Às vezes. Especialmente quando está a ponto de agredir alguém. Ele não é um homem fácil. É  arrogante, orgulhoso, impetuoso demais. Você descobrirá por si mesma, só não quero que seja de uma maneira dolorosa.

- Eu sei cuidar de mim mesma, Winnie, você sabe. Estive fazendo exatamente isso em lugares perigosos. E por um longo tempo.

- Eu sei, mas há uma grande diferença entre o que você esteve fazendo e a relação entre um homem e uma mulher. Falando com sinceridade, você é uma mulher ingênua apesar dos seus vinte e cinco anos e embora tenha levado uma vida cheia de aventuras em alguns aspectos, permaneceu ignorante em outros. Não creio que seus pais tenham levado as suas necessidades muito em conta quando fizeram os planos de vida.

- Sim, Winnie, eles me levaram em conta - Demi falou com um sorriso. - Sou muito parecida com os dois e adorei cada minuto do que fizemos juntos. E mesmo agora, ainda sinto falta daquele tipo de trabalho. As coisas acontecem conforme a vontade de Deus. Vou superar tudo isso.

- De qualquer maneira, acho que foi um desperdício...

- Oh, não, não foi um desperdício. Eles ainda estão vivos, no trabalho que fizeram, nas vidas que mudaram.

- Não quero discutir com você, Dem. Através de todos estes anos sempre nos mantivemos em contato e permanecemos amigas. Você ainda é a irmã que eu nunca tive e enquanto eu estiver viva, você sempre terá um lar.

Demi tentava conter as lágrimas que teimavam em escorrer daqueles belos olhos castanhos.

- Se as circunstâncias fossem invertidas, espero que saiba que eu faria a mesma coisa por você.

- Eu tenho certeza que sim - Winnie murmurou emocionada.

O caminho que conduzia à casa da fazenda era margeado por pinheiros e ao longe via-se a sombra das montanhas.

- Isto aqui não é o paraíso? - Demi falou com um suspiro. - O Wyoming é lindo!

- Sim, com certeza. Eu posso passar o resto da minha vida aqui. Agora, Dem, me diga: você não está pretendendo passar a noite inteira se esquivando das pessoas, está? O objetivo de uma festa é permitir que todos se encontrem.
- É  você que precisa se encontrar com as pessoas, já que está para se casar com o dono da casa.

- Você pode desfrutar da situação também. Os convidados são interessantes. A maioria é composta por fazendeiros, criadores de cavalos, participantes de rodeios.

- Você está me deixando nervosa - Dem respondeu sentindo-se desconfortável, enquanto Winnie estacionava o carro. - Eu não sei nada sobre rodeios, cavalos ou gado.

- Não há nada como o momento presente para aprender. Vamos, está na hora.

- Será que eu não posso ficar esperando por você dentro do carro?

- Não há a mínima chance, minha amiga. Especialmente depois de todo o trabalho que eu tive para arrumá-la. Quero ter a oportunidade de exibi-la.

- Querendo mostrar os seus dotes de artista, hein? - Demi brincou. - Desisto, vamos então.

Dwight Jonas estava na varanda e foi ao encontro das recém-chegadas no mesmo instante, beijando a noiva com alegria.

- Oi, Dem, que bom que você veio - ele falou e ficou em silêncio por alguns segundos, fitando a morena com atenção. - Dem? É mesmo você?

- Obra minha - Winnie falou sorrindo. - Ela não está uma beleza?

- Está maravilhosa. Se eu não tivesse visto você primeiro... - Dwight começou.
Winnie pisou no pé do noivo e comentou com um ar divertido:

- Pare aí, se não quiser acabar com uma perna quebrada. Você é todo meu e é melhor não se esquecer disso.

- Como se eu pudesse - Dwight respondeu piscando um olho. - Você está linda, Dem, mas eu estava apenas brincando.

- Você está desculpado desta vez - Winnie murmurou abraçando o noivo. - Onde está Marie?

- Lá atrás, perto da banda. Joe está do outro lado.

- Marie e Joe não combinam muito bem - Winnie explicou à amiga.

- Felizmente nossos convidados se encarregarão de mantê-los afastados um do outro. Minha mãe passou a vida inteira tentando apaziguar as brigas entre os dois. Quando Joe esteve no exterior durante um ano, encarregado de um trabalho de vendas, nós até que conseguimos desfrutar várias refeições na mais completa paz. Agora temos indigestão e uma nova cozinheira a cada mês. Falando em comida, vamos ver se ainda resta alguma? Creio que vocês duas são os últimos convidados que estávamos esperando.

- Os melhores são sempre esperados, querido - Winnie falou com um sorriso radiante.
No enorme pátio, todo enfeitado com lanternas coloridas, mesas e cadeiras, um cozinheiro oriental se encarregava de assar a carne. Junto a ele, duas mulheres conversavam e Demi logo soube que uma delas era Marie Jonas.

- O cheiro está delicioso - Dem comentou com o anfitrião.

- E o sabor também - Dwight respondeu. - Vamos nos servir e apreciar a comida.

Mas no caminho, o casal de noivos parou para conversar com alguns conhecidos e Demi continuou sozinha até a mesa principal, onde o bufê estava instalado. Ela serviu-se com parcimônia e pegando um copo de chá gelado, procurou um lugar onde sentar-se.

Joe Jonas estava de pé não muito longe dali, conversando com um dos convidados, quando viu Demi sentar-se sozinha a uma das pequenas mesas. Ele não a havia perdido de vista um só instante, desde que a vira chegar, e não conseguia entender por que se sentia tão atraído por aquela mulher, embora esta noite ela estivesse realmente bonita, metida num vestido sexy que lhe dava um ar sofisticado. Winnie costumava trabalhar como modelo e Joe sabia que muitas das amigas da sua futura cunhada eram mulheres liberadas. Tempos atrás ele mesmo havia saído com Winnie uma única vez e talvez fosse por isso que ela tivesse uma opinião desfavorável a seu respeito. Não que houvesse acontecido algo entre os dois, pois Dwight resolvera namorar Winnie e cortara qualquer possibilidade deles se verem outra vez.
Joe não dera a mínima importância à intromissão do meio-irmão, já que as mulheres costumavam cair aos seus pés e ele não tinha interesse real em Winnie. Talvez ela houvesse se sentido ofendida por ter sido deixada de lado, porém ele nunca chegara a querer uma mulher o suficiente para se sentir disposto a lutar por ela. Todas eram iguais.
"Bem, a maioria era igual", Joe pensou fitando Demi, reparando o porte elegante, a delicadeza dos gestos.
Já fazia algum tempo desde que ele estivera com uma mulher e seu corpo ansiava por um alívio sensual que o fizesse esquecer o desgaste emocional que o consumia. Não que ele se lembrasse da noite que havia passado em companhia de Dale Branigan, muito pelo contrário. Talvez fosse por isso que o seu corpo ficava rígido a cada vez que olhava para Demi.
Ela sentiu que Joe a olhava e o fitou, pensando no quanto aquele homem a atraía.
Ele vestia calça jeans, camisa branca de mangas compridas, uma bandana ao redor do pescoço e botas de couro. Seus cabelos negros estavam úmidos, como se ele houvesse acabado de sair do banho. Joe era o homem mais envolvente que Demi jamais encontrara e seu corpo respondia ao aspecto viril dele com uma intensidade difícil de controlar.
Ela não devia encorajá-lo, sabia que não devia, mas não conseguia deixar de fitá-lo. Dem tentava se enganar dizendo a si mesma que em sua vida tivera poucas oportunidades de encontrar homens interessantes e que era natural se sentir atraída pelo primeiro solteiro bonito que encontrasse.
"Se aquele olhar não for um convite, então estou cego", Joe pensava, desistindo de resistir por mais tempo.

Ele atirou  o cigarro no chão, pediu  licença  ao convidado com  quem  estivera  conversando e se aproximou do bufê. Depois de servir-se e pegar um copo de cerveja, sentou-se junto a Demi, notando o quão pouco ela havia se servido.

- Você não está gostando da comida? - ele perguntou sem sorrir.

Demi fitou o homem à sua frente, reparando nos olhos verdes, o cabelo negro e curto, o rosto de traços marcantes, a boca sensual. Joe ainda não havia sorrido e continuava a examiná-la com interesse. Esta não era a primeira vez em que um homem a despia com os olhos, porém era a primeira vez que se sentia tão afetada. Tinha vontade de puxar a toalha da mesa e cobrir-se.
Entretanto, não faria isso, pois já não havia aprendido que a maneira de enfrentar um predador era demonstrando uma coragem inabalável? Demi lançou mão de todo o seu senso de humor e pôs-se a representar o papel de mulher sofisticada.

- Eu lhe perguntei se você não está gostando da comida - ele insistiu numa voz suave e profunda, mais apropriada para uma situação de intimidade.

Dem se assustou com o rumo dos próprios pensamentos. Não podia se deixar envolver desta maneira por um estranho, ainda que ele fosse alto, forte e viril.

- Oh, eu gosto da comida, sim. Só não estou habituada a comer muito - ela respondeu com um sorriso provocante.

- Diga-me então - Joe falou com arrogância.

- Dizer-lhe o quê?

Ele estava um pouco desapontado com as maneiras desinibidas dela, pois julgara que se tratava de uma mulher um pouco tímida. Mas esta não era a primeira vez que se enganava a respeito de uma mulher.

- Dê-me tempo, vou pensar em alguma coisa - respondeu Joe.

- Espero que não seja casado, sr. Jonas, ou que tenha uns seis filhos. Eu odiaria ter que estragar a festa me atirando de cima do telhado.

- Eu não sou casado - Joe retrucou como mesmo senso de humor, sentando-se ainda mais perto de Demi. Perto demais.

Ele cheirava a água de colônia e sabonete, um aroma potente para uma mulher que não estava acostumada a estar perto de homens tão envolventes.

- Presumo que você não tenha vindo sozinha - ele falou, fitando-a com intensidade. - Deixe-me comer um pouco mais e estarei pronto para acabar com o seu acompanhante.

- Oh, eu não tenho um acompanhante - Dem respondeu tentando esconder o nervosismo sob o senso de humor. - Eu vim com Winnie.

- Então isso salva os meus punhos. Você conhece Winnie há muito tempo?

- Sim, somos amigas de infância.

- Ontem à noite, no bar, você disse que ficaria por aqui apenas umas duas semanas. Faz tempo que chegou?

- Poucos dias. Há muito eu andava querendo rever Winnie. Não nos víamos há alguns anos.

Era impossível dizer-lhe que a sua estada em Pryor dependeria da possibilidade de manter-se incógnita. Desde que voltara ao país havia conseguido se manter afastada da mídia e não queria que a imprensa a descobrisse outra vez.

- Você já conheceu os pontos turísticos da cidade? - Joe perguntou, fitando seus ombros nus e o início dos seios com ousadia.

- Ainda não, mas tenho me divertido. É bom tirar alguns dias de férias.

- O que você faz... quando não está visitando os amigos?

- Sou uma vamp - Demi respondeu, divertindo-se em surpreender Joe.

Era bom agir como uma atriz; representar um papel ajudava-a a esquecer um pouco do horror dos últimos meses.

- Não, não acredito nisso - ele falou depois de alguns segundos de silêncio. – O que você faz de verdade?

Dem bebeu um pouco de chá, tentando ganhar tempo para pensar. Joe não era nenhum estúpido, entretanto não poderia escapar alguma informação que revelasse quem ela realmente era e o que fizera até poucos meses atrás.

- Estou no ramo de salvamento.

Demi riu ao notar a expressão do rosto de Joe.

- Oh, não, não trabalho na recuperação de objetos ou coisas afins. Trabalho com a recuperação de pessoas. Sou... - ela hesitou, tentando dizer algo que não fosse uma completa mentira.

- Você é o quê?

Joe era perigosamente curioso, tinha o raciocínio rápido. Era preciso despistá-lo antes que ele lhe arrancasse a verdade.

- Você, por acaso, é uma reencarnação da Inquisição Espanhola?

- Eu nem mesmo falo espanhol - Joe respondeu sorrindo, apesar de estar cheio de suspeitas. – Quantos anos você tem?

- Calma, você me deixa sem fôlego!

Ele fitou a boca bem feita por alguns segundos, antes de murmurar:

- Isto é uma sugestão?

A mão de Demi tremia quando ela colocou o copo sobre a mesa. Joe era um homem experiente e a deixava nervosa. Não era preciso muito esforço para entender o sentido da sua última pergunta.

- Você vai rápido demais - ela falou um pouco apreensiva.

Ele se recostou na cadeira, observando-a com atenção. Dem lhe dava a impressão de ser uma mulher cheia de contradições, e isso o atraía ainda mais.

- OK, querida. Vou pisar no freio.

- Quantos anos você tem? - ela perguntou, embora já soubesse a resposta.

- Trinta e quatro. Velho demais para você, doçura?

- Eu tenho vinte e cinco.

Joe a julgara mais jovem. Sim, havia algumas linhas suaves marcando o rosto bonito e um ou outro fio de cabelo branco. Nove anos mais nova do que ele... A diferença de idade não era tão grande assim e aos vinte e cinco, ela não poderia ser uma inocente. Joe sentiu o coração disparar ao observar o corpo bem feito, imaginando como seria vê-la sem as roupas, beijar a boca sensual. Se ao menos não fosse amiga de Winnie...
Demi era um verdadeiro enigma. Jovem, e de repente, não tão jovem assim. Tinha a impressão de que aquela mulher não era o que parecia ser e que, assim como ele, sabia esconder as suas emoções.

- Vinte e cinco anos. Você não é mais nenhuma criança, não é mesmo?

Joe percebeu muito bem que a expressão dos olhos de Demi se alterava, como uma atriz que se prepara para entrar em cena.

- Não, já não sou mais criança - ela murmurou, pensando na recente provação que tivera de enfrentar.

Nem por um segundo lhe passou pela cabeça que Joe poderia interpretar a sua resposta de uma outra maneira, julgando-a experiente como mulher, quando na verdade não o era.
Ele sentiu o corpo reagir à proximidade de Demi e ficou surpreso. Em geral levava muito mais tempo até que uma mulher pudesse afetá-lo fisicamente com tanta urgência. Eles se fitaram com intensidade por vários minutos e era possível sentir a eletricidade no ar.
O olhar dele desceu até o colo exposto de Demi e Joe ficou tenso tentando imaginar como seria sentir aqueles seios firmes sob a sua boca...
O som repentino de vozes os arrancou da tensão que parecia consumi-los.

- Você pensou que nós a havíamos abandonado? - Dwight perguntou. - Vejo que se encontrou com Joe. Cuidado, ou ele poderá arrastá-la para debaixo da mesa.

- Tenha cuidado você - Joe respondeu ao irmão mais jovem com aspereza.

- Vocês não se importam se nos sentarmos aqui, não é mesmo? - Dwight insistiu.
- É claro que não - Demi interveio, reparando no antagonismo entre os irmãos. - Vocês dois não parecem estar se entendendo muito bem. Alguma coisa errada?

O silêncio que se seguiu foi embaraçoso.

- Não, não nos entendemos muito bem - Joe falou com frieza. - Temos a mesma mãe, mas não o mesmo pai. Não é isso mesmo irmãozinho?

- Demi não sabia - Dwight respondeu, enrubescendo. - Ultimamente você está sempre na defensiva, Joe.

- Se eu não posso esquecer, por que você o faria?

- Você faz parte da família. Seria bom se parasse de agredir a todos e em especial, Marie.

- A agressão é recíproca. - Joe bebeu o resto da cerveja e virou-se para Demi: - Você não entende, não é mesmo, doçura? Eu não sou filho do pai de Dwight e Marie, fui adotado. Um detalhe que minha mãe e meu padrasto acharam que eu não precisava saber, até que meu padrasto morreu seis meses atrás.

- Sinto muito - ela falou com suavidade. - Deve ter sido difícil para você descobrir tudo de uma maneira tão abrupta.

- Eu não quero piedade - Joe respondeu odiando a ternura daqueles olhos castanhos. Tudo o que poderia vir a querer de Demi era o seu corpo bem feito e nada mais.

- Joe, pelo amor de Deus! - Dwight falou, constrangido.

- Não se preocupe, não vou estragar a festa.

Num gesto lento, ele tomou alguns fios de cabelo de Demi entre os dedos, enquanto murmurava:

- Fique longe de mim. Eu não valho muita coisa. Pergunte a qualquer pessoa.

Joe se afastou sem dizer mais nada e Demi não conseguiu disfarçar o quanto a angústia dele a afetava.

- Não caia no erro de sentir compaixão - Dwight a alertou. - Piedade é a última coisa que ele quer ou precisa. Ele precisa se encontrar de novo.

- Onde está o pai verdadeiro de Joe? - Demi perguntou.

Mas antes que Dwight pudesse responder, uma garota loura sentou-se junto a Winnie.

- Então ele foi embora - Marie Jonas murmurou. - Joe anda impossível. Não posso lhe dizer duas palavras que... Desculpe-me, você deve ser Demi. Pensei que Winnie nunca nos daria a chance de conhecê-la! Desculpe-me o desabafo, eu não pretendia discutir assuntos de família em público. Mas é que Joe sempre consegue me tirar do sério.
- O que foi que ele fez agora? - Dwight perguntou com um ar cansado.
- Ele seduziu a minha melhor amiga.
- Dale Branigan não é a sua melhor amiga e além do mais é uma mulher divorciada, experiente e louca para agarrar um homem. Se alguém foi seduzido, tenho certeza de que foi Joe. Ela também deveria saber que um único encontro não significa nada.

- Não estou me referindo a Dale e sim a Jessie.

- Joe nunca se aproximou de Jessie.

- Ela me contou que ele...

- Marie, Jessie é uma pessoa incapaz de dizer a verdade, mesmo que a vida dela dependesse disso. Ela sempre foi louca por Joe e ele nunca lhe deu atenção. Aposto que está inventando histórias, tentando forçar uma aproximação, um compromisso. Porém, nem uma chantagem seria capaz de arrastá-lo ao altar.

- Talvez ela não esteja mentindo. Você sabe como Joe é em relação às mulheres.

- Eu sei, mas penso que você não conhece o gosto do nosso irmão. Ele aprecia mulheres sofisticadas, vividas. Agora, Marie, esqueça este assunto e cumprimente Winnie.

- Olá, Winnie. É bom ver você outra vez. Também estou feliz por Demi ter vindo.

Marie não mencionou que Dwight havia lhe dito o efeito que Demi causara no irmão naquela noite no bar. Sim, havia algo diferente, interessante em Demetria Lovato e Joe fora capaz de percebê-lo.

- Obrigada por ter me convidado, Marie. Eu não queria impor a minha presença.

- O prazer é nosso. E então, você está gostando do Wyoming?

- Muito. É um Estado lindo.

- Também pensamos assim. Sabe, Winnie é muito reservada no que diz respeito a você. Será que há algum segredo?

- Não que eu saiba - Demi respondeu sorrindo e mudou de assunto: - Você gosta de montar?

- Marie já foi campeã de rodeios - Dwight falou com orgulho.

- De verdade? - Demi indagou com interesse genuíno.

- Joe também. Ele já foi campeão mundial no uso da corda. Depois sofreu um ferimento sério na mão e nunca mais competiu. Joe está amargo em relação a muitas coisas e eu gostaria que ele pudesse não culpar a mim ou a Dwight. Nós o amamos, mas ele parece não querer acreditar.

- Talvez ele supere tudo isso algum dia. Felizmente há muito trabalho a ser feito na fazenda e sobra pouco tempo para se entregar às preocupações - Dwight falou. - Nossos touros costumam participar de rodeios e estamos constantemente comprando e vendendo animais. Fora disso, o trabalho de administração é um pesadelo, apesar da ajuda dos computadores.

- Tudo me parece um pouco complicado e perigoso - Demi falou, pensando no único rodeio a que havia assistido. A selvageria dos animais a surpreendera e assustara um pouco.

- Você já assistiu a um rodeio de verdade, Demi? - Marie perguntou.

- Uma única vez, quando Winnie e eu éramos crianças. Mas confesso que não me lembro de muita coisa.

- Se você ficar por aqui tempo suficiente, Demi, tenho certeza de que a tornaremos fã dos rodeios - Dwight prometeu. - E agora, Marie, que tal um pouco de música? Acho que já está na hora da banda começar a tocar.
A música e a dança foram extremamente divertidas, entretanto Demi estava desapontada, pois Joe não voltara a aparecer. Ele a fascinava, apesar do que ouvira sobre a sua reputação.
Durante os momentos em que conversaram ela tentara parecer sofisticada, segura, já que era esse o tipo de mulher que o atraía. Entretanto, ele a havia deixado e não voltara a procurá-la. Também como poderia esperar que um homem como Joe Jonas se interessasse por ela? Demi dançou, sorriu, conversou, mas seu coração não estava no que fazia. Sem a presença envolvente de Joe, tudo perdia o sentido. Na verdade ele estava se sentindo da mesma maneira. Só havia deixado a festa porque sabia que não seria capaz de resistir à vontade de dançar com Demi. E um envolvimento entre os dois significaria mais problemas, quando já possuía preocupações suficientes. Pensou então em dar um pulo até um bar qualquer, entretanto a perspectiva não o atraía. Parecia estar perdendo o gosto pela bebida e pelas mulheres fáceis.
Talvez houvesse contraído algum tipo de vírus ou coisa assim.
Joe passou junto ao alojamento dos vaqueiros e ouviu a voz de Rance, seguida de risos. Era um sábado à noite e seria impossível impedir que os homens se entregassem à bebida. Mas qualquer dia desses teria que se confrontar com Rance, que não perdia ocasião de provocá-lo. O homem estava interessado em Dale Branigan e tinha ciúmes ferozes de Joe, quando não havia motivos para que os tivesse. Joe gostaria de dizer-lhe isso, porém sabia que não adiantaria nada. Ele continuou andando, a mente cheia de imagens de Demi metida naquele vestido provocante.
Resolveu parar por alguns minutos no celeiro, a fim de dar uma olhada em duas reses doentes, pensando como seria possível alguém mudar tanto em menos de quarenta e oito horas. Talvez fosse a sua idade... Então a lembrança dos olhos castanhos e profundos de Demetria Lovato dominou-lhe os sentidos. Praguejando baixinho, ele selou um cavalo e saiu a galope para checar uma das manadas; algo que não fazia há meses.

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OLÁ, POVO BONITO ♥ como vão? eu vou bem, na medida do possível... Desculpem-me a demora, estou super atarefada! Nem no twitter to entrando direito, acreditam? Psé... To muuuuuuuuuuito feliz que estão gostando! Essa história é uma paixãozinha ♥ Comentem para o próximo, ok? Respostas aqui' Beijos, amo vcs!

28.10.14

Perigosa Atração - Capítulo 1


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Ele era atraente e sabia disso. Sua reputação de conquistador também já havia se espalhado pela cidade, uma vez que não costumava resistir a convites explícitos. Entretanto, os olhares que estava recebendo da mulher desconhecida, sentada a uma mesa do canto, o estavam deixando irritado. Os últimos seis meses haviam sido difíceis e ele andava bebendo demais e saindo com muitas mulheres... pelo menos era isso o que ouvia em casa. Não que desse atenção a esses comentários. Não depois de saber que aquelas pessoas a quem considerava como sendo a sua família, na verdade não o eram.
Ele a fitou com atenção, notando os cabelos negros presos num coque, os seios firmes sob a blusa branca, a cintura fina e as pernas longas e elegantes metidas numa calça jeans justa. Ela estava em companhia  de  Dwight,  seu  meio-irmão  e  a  noiva  dele,  Winnie.  Embora  não  soubesse  o  nome  da desconhecida, supunha que fosse a convidada de Winnie, já que na pequena cidade de Pryor, em Wyoming, todos ficavam sabendo quando alguém recebia hóspedes. Ele deu mais um gole no uísque, pensando, com certa amargura, no quanto vinha bebendo nestes últimos tempos.
Quando se começa a levar mulheres para a cama e não se consegue lembrar de nada na manhã seguinte, é hora de repensar a vida. Dale Branigan o havia pego num momento de fraqueza e agora o estava pressionando, querendo oficializar um compromisso sério. Não que ela fosse feia, mas não passava de um dos muitos casos que o estavam levando direto para o inferno. Pelo menos era isso o que dizia o seu meio-irmão.
Ele olhou para o rosto desaprovador de Dwight, tão diferente do seu, e lentamente levou o copo aos lábios com um sorriso zombeteiro. Porém recusou a nova dose oferecida pelo garçom. Não fora a expressão reprovadora de Dwight que o fizera dar um basta, mas a maneira com que a mulher desconhecida o estava fitando. Havia algo suave e sensível naquela face, como se ela o compreendesse. E quando seus olhares sé encontraram, ele sentiu uma emoção súbita apertar-lhe o peito. Estranho, nunca havia sentido nada assim antes.
Talvez fosse a bebida.
Ele olhou ao redor. O bar estava cheio, embora fosse pequeno o número de mulheres e graças a Deus não havia sinal de Dale. Nas sextas-feiras costumava dirigir até Billings, atrás de um pouco de diversão, porém hoje não se sentia disposto. Tivera um aborrecimento no trabalho ao entrar em atrito com um dos seus homens, depois de ter ouvido certos comentários maliciosos e seu temperamento explosivo o fizera perder um bom mecânico. Quando estava zangado, costumava tornar-se agressivo. Talvez essa fosse uma característica herdada do pai, ele pensou com amargura. Do seu pai verdadeiro, não do homem com quem sua mãe estivera casada por mais de vinte anos. Até seis meses atrás seu nome havia sido Joe Jonas, sendo considerado, por todos, como o filho mais velho de Hank Jonas. Mas há seis meses, Hank havia morrido (dez anos depois da sua mãe), deixando um testamento com a divisão dos bens e também uma carta, onde confessava haver adotado o filho mais velho aos quatro anos de idade.
Joe pagou a bebida e caminhou em direção à porta do bar, hesitando quando Dwight o chamou.
Seu meio-irmão agora o substituía no comando da fazenda Triple N, cargo que ocupara até a morte daquele a quem considerava o seu pai verdadeiro. E este havia sido um golpe duro no seu orgulho, uma vez que passara de filho mais velho a intruso, cabendo a Dwight a posição de herdeiro legítimo. Depois de trinta anos era difícil acostumar-se a uma nova ordem das coisas.
Joe caminhou em direção à mesa do irmão, as feições rígidas, os olhos verdes faiscando sob os cílios negros.

- Você ainda não conhece Joe, não é mesmo Demi? - Winnie perguntou com um sorriso.
Winnie era pequenina, loura e de olhos azuis. Seu tipo físico se assemelhava ao do noivo, já que Dwight tinha a mesma cor de cabelos e olhos. Marie, a meia-irmã de Joe, também possuía essas mesmas características e Joe sempre se indagara por que ele era o único com cabelos negros e olhos verdes, já que sua mãe, assim como Hank, possuíra cabelos louros e olhos azuis. Por que nunca havia sido capaz de interpretar a evidência dos sinais? Talvez, inconscientemente, houvesse passado todos esses anos evitando pensar no assunto.

- Não, ainda não nos conhecemos - Demi respondeu com delicadeza, fitando-o com intensidade.

Joe nunca havia visto olhos como aqueles: castanhos, enormes e cheios de ternura.

- Como vai, sr. Jonas? - ela perguntou com um sorriso capaz de iluminar um dia sem sol.
Ele ficou tenso por um instante. Demi o havia chamado de sr. Jonas, porém ele não era um Jonas. Mas que diabo, este era o único nome com que fora chamado em toda a sua vida!

- Senhorita...

- Lovato.

- Você já está indo para a fazenda, Joe? - Dwight perguntou, um pouco hesitante.

- Sim.

- Vejo você lá, então.

Joe olhou para Demi outra vez. Ela não era exatamente bonita, mas tinha algo de muito especial. Sem dúvida os olhos e a boca eram os pontos fortes do rosto delicado. Ele continuou a fitá-la até percebê-la corar. Que reação estranha para uma mulher que devia ter uns vinte e poucos anos.

- Joe, você pretende comparecer à festa amanhã à noite? - Winnie perguntou.

- Talvez - Ele respondeu ainda fitando Demi e perguntando numa voz profunda: - Você é hóspede de Winnie?

- Sim, mas apenas por umas duas semanas.

Deus! Como este homem era capaz de deixá-la nervosa! Nunca havia sentido uma atração tão imediata por alguém.
E tampouco Joe. Ele estava tendo dificuldades para desviar o olhar daquela figura esguia e se afastar.
Tinha a impressão de estar acordando do torpor que o dominara nos últimos dias, só não entendia bem porquê.

-Tenho que ir para casa agora - ele falou afinal, forçando as palavras.

Demetria Lovato o fitou até vê-lo desaparecer. Nunca havia conhecido alguém tão fascinante quanto aquele homem. Ele se parecia com os cowboys de cinema: alto, forte, ombros largos e pernas musculosas. E ela, que sempre se mantivera afastada dos homens, sentia-se tão afetada pelo rápido encontro que estava trêmula e ruborizada.

- Eu não pensei que Joe fosse parar de beber tão cedo - Dwight falou com um sorriso triste. - Ele tem me evitado e a Marie também. Exceto para começar discussões.

- A situação não está mais fácil na sua casa, não é mesmo? - Winnie perguntou com simpatia, acariciando a mão do noivo.

- Joe não quer falar sobre o assunto e se comporta como se nada tivesse acontecido. Marie está se sentindo no fundo do poço e eu também. Nós o amamos, porém ele se convenceu de que não faz mais parte da família.

Demi prestava atenção sem compreender muito bem sobre o que os outros dois estavam falando. Interessada, resolveu arriscar uma pergunta:

- Ele é muito mais velho do que você, Dwight?

- Seis anos. Joe tem trinta e quatro.

- Mas ele não é o tipo de homem com quem você deva arriscar o seu coração - Winnie falou com delicadeza. - Joe tem passado maus pedaços. Sente-se ferido e está pronto para magoar qualquer um que chegar muito perto.

- Eu detesto ter que concordar, porém Winnie está com a razão - Dwight interveio. - Joe tem ido de mal a pior nestes últimos meses. Mulheres, bebidas, brigas. Hoje de manhã ele deu um soco no nosso mecânico e o despediu.

- O homem mereceu - Winnie falou. -Você sabe muito bem do que ele chamou o seu irmão.

- Ele não teria chamado Joe de nada disso, se o meu irmão não tivesse parado de se comportar como o patrão e começado a agir como um dos vaqueiros. Ele odeia a rotina de ter que lidar com o gado todos os dias. Joe cuidava dos negócios e era bom em organização e administração. E eu não sou. Eu me saía muito mulher quando cuidava da compra e venda de animais. O testamento do meu pai inverteu nossas funções e agora ambos nos sentimos infelizes. Não consigo liderar os homens e Joe recusa-se a voltar a fazê-lo. A fazenda está à beira da ruína porque ele não se concentra no trabalho e deu para beber nos fins de semana. O moral dos homens anda baixo e eles  parecem  procurar desculpas para pedirem  as contas ou serem demitidos.

- Mas...ele bebeu apenas uma dose no bar - Demi comentou.

- É verdade - Dwight respondeu. - Ele ficou olhando para você e então deixou o copo de lado, eu vi muito bem. Essa foi à primeira vez, nos últimos tempos, em que o vi parar depois do primeiro drinque.

- De fato, Joe raramente bebia - disse Winnie. - E quando o fazia, não passava da primeira dose.

- Ele anda amargurado demais. Deus! Eu o entendo e sinto pelo que tem passado. Posso imaginar como eu estaria reagindo se estivesse no seu lugar. Joe tem se sentido muito só.

- A maioria das pessoas sente-se assim - Demi falou com suavidade. - E quando elas estão feridas tendem a fazer coisas desagradáveis.

- Você seria capaz de encontrar desculpas até para um criminoso, não é mesmo? - Winnie comentou com um sorriso afetuoso. - Suponho que este seja o motivo de você ser tão competente no que faz.

- No que eu fazia - Demi corrigiu a amiga. - Eu não sei se um dia serei capaz de voltar a fazê-lo.

- Você precisa de tempo, Dem.

- Isso é algo que eu tenho em comum com o seu futuro cunhado, Winnie. Espero que você tenha razão.

Porém, mais tarde, naquela noite, os pesadelos a atormentaram outra vez, deixando-a banhada de suor, lutando para não ouvir os disparos das armas e os gritos.
Demi levantou-se, vestiu o robe sobre a camisola branca e foi até a cozinha. Winnie já estava de pé e ao notar o aspecto abatido da amiga perguntou com delicadeza:

- Sonhos maus outra vez?

- Sim, mas estou melhor do que antes - Demi respondeu aceitando uma xícara de café e sentando-se à mesa.

- Sinto-me feliz por você ter nos procurado.

Winnie estava vestindo um conjunto de camisola e robe de seda cor-de-rosa que, com certeza, não custara barato. Os Manley sempre haviam gozado de uma situação financeira bem melhor do que a dos Lovato, o que não impedira que a mãe de Demi e a de Winnie houvessem sido excelentes amigas. E essa amizade fora transferida para as filhas.
Durante alguns anos as duas famílias haviam morado em Bisbee, no Arizona, até que os Manley se mudaram para Pryor e os Lovato foram para a América Central.
As últimas semanas poderiam ficar na lembrança de Demi como um pesadelo, exceto que agora ela estava completamente sozinha. No instante em que se vira de volta ao seu país ela entrara em contato com Winnie, que tomara o primeiro avião para ir ao seu encontro e trazê-la para Pryor. Alguns dias se passaram antes que Demi conseguisse recuperar o controle e parasse de chorar. Agora estava começando a sarar. Ontem havia sido o primeiro dia em que Winnie conseguira convencê-la a sair de casa. Demi vinha se esquivando da imprensa desde que chegara ao país e não queria atrair a atenção das pessoas sobre si. Até então havia obtido sucesso em manter-se à sombra, mas não sabia até quando seria capaz de fazê-lo.

- A festa é hoje à noite e você tem que ir. Não se preocupe - Winnie falou ao perceber a expressão ansiosa da amiga. - Irão apenas pessoas das redondezas. Ninguém vai incomodá-la.

- O irmão de Dwight disse que talvez comparecesse.

- Pelo amor de Deus, não provoque o destino se aproximando muito de Joe. Você está acabando de superar um trauma e não precisa de outro.

- Eu sei. Suponho que esteja me sentindo muito vulnerável ultimamente. É apenas solidão, eu nunca estive sozinha antes.

- Você nunca estará só enquanto os Manley estiverem vivos - Winnie falou com firmeza, tocando o rosto de Demi com carinho. - Nós a amamos muito.

- Sim, eu sei. Vocês sabem o quanto os quero bem e o quanto lhes sou grata por poder ficar aqui. Não pude nem mesmo ir para a casa em Bisbee, pois meus pais a haviam alugado... isto é, antes de termos ido para a América Central. Também eu tinha medo de ir para lá, pois alguém da imprensa poderia estar observando o local.

- Todo esse furor chegará ao fim assim que a luta terminar. A imprensa a tem perseguido porque sabe que você poderia lhes dar informações em primeira mão sobre o que realmente aconteceu, já que não se ouviu mais uma notícia sequer depois que as forças de ocupação tomaram o palácio do governo. Mas assim que as tropas leais ao presidente retomarem o poder, eles a deixarão em paz. Enquanto isso, você pode ficar conosco o tempo que desejar.

- Não vou demorar muito. Seu casamento...

- Meu casamento é só daqui a seis meses e você será a minha madrinha. Até lá tudo isso será apenas uma lembrança triste e você já terá recomeçado a viver.

- Eu espero que sim - Demi respondeu com a voz embargada. - Eu realmente espero que sim.

(...)

Na fazenda Triple N, Joe havia acabado de entrar em casa quando se viu frente a frente com Marie, sua meia-irmã.

- Dale telefonou outra vez. Ela parece ter posto na cabeça que é sua noiva.

- Não pretendo me casar com mulheres de uma noite só - ele respondeu com um cinismo deliberado.

- Então você deveria ter deixado às coisas claras desde o princípio.

- Eu estava bêbado demais.

- Olhe o que você está fazendo consigo mesmo - Marie falou cheia de preocupação. - Esta é a sua casa, Joe. Dwight e eu não o consideramos um intruso.

- Não comece - ele murmurou, com os olhos faiscando de raiva.

Marie atirou as mãos para o alto, num gesto de irritação.

- Você não ouve ninguém! Você bebe, você faz farras e nem mesmo se importa em manter a disciplina dos nossos empregados! Eu vi Rance com uma garrafa de uísque em plena luz do dia!

- Se eu o vir, tomarei as devidas providências.

- E quando será isso? Você anda ocupado demais se divertindo, para notar qualquer coisa! - Joe, não respondeu e começou a subir a escada sem olhar para trás. - E quanto a Dale? O que devo dizer se ela ligar de novo?

- Diga-lhe que entrei para um mosteiro e fiz votos de castidade!

Marie sorriu e voltou para a sala de estar, satisfeita que pelo menos naquela sexta-feira Joe havia chegado sóbrio em casa. Foi apenas na manhã seguinte, depois dele ter saído para checar as novas reses que deviam ser marcadas, que Dwight contou à irmã o que havia se passado no bar.

- Você quer dizer que Joe olhou para ela e deixou o copo sobre o balcão?

- Isso mesmo. Ele parecia não ser capaz de parar de fitá-la.

- Ela é bonita?

- Simpática, meiga, atraente. Mas não é nenhuma beleza estonteante. Estranho que Joe a tenha notado, já que sempre pareceu preferir as mulheres experientes que costuma encontrar nos rodeios. Entretanto, Demi me deu a impressão de tê-lo cativado.

- Se ela foi capaz de influenciá-lo o suficiente para tê-lo mantido sóbrio numa sexta-feira à noite, eu tiro o meu chapéu - Marie falou com sinceridade. - Ontem à noite ele se comportou como o irmão que eu me acostumei a ter e não como o estranho no qual se tornou nestes últimos meses. 

– Sim, eu sei o quanto os últimos acontecimentos o magoaram, mas só vim a saber a extensão ao vê-lo se desintegrar diante dos meus olhos. E saber quem é o seu pai verdadeiro parece tê-lo deixado louco.

- Ninguém pode escolher os próprios pais e Joe não poderia gostar daquele homem nem em um milhão de anos. E é claro que ele sabe disso.

- Certa noite, enquanto estava bebendo, ele deixou escapar que nunca terá filhos, por causa do seu sangue amaldiçoado. - Dwight suspirou e terminou o café. - Gostaria que pudéssemos encontrar uma solução para tanto sofrimento. Joe não tem paz.

- Talvez ele possa encontrar paz ao lado da nossa CRT. Lovato... Se ela foi capaz de afetá-lo à distância, imagine o que poderia fazer se se aproximasse!

- Exceto que ela não é o tipo de mulher que atrai o nosso irmão - Dwight respondeu, pondo-se a contar o que havia acontecido a Demi.

- Meu Deus! Pobre garota! - Marie murmurou cheia de simpatia.

- Ela é uma pessoa de valor e Winnie gosta muito dela. Gosta tanto que irá desencorajá-la até mesmo a olhar para Joe.

- Posso entender por quê. O anjo e o proscrito. Acho que estava sonhando acordada.

- Não há nada de errado em sonhar. Mas sonhos não administram uma fazenda.

- Nem organizam uma festa - Marie respondeu sorrindo. - Boa sorte com a papelada, eu vou cuidar dos preparativos para hoje à noite.

Dwight gemeu:

- Vou levar a fazenda à falência em pouco tempo. Se Joe não estivesse tão irascível eu lhe pediria que trocássemos nossas obrigações.

- Você poderia fazê-lo?

- Não há nada que me impeça. Mas ele não me tem dado ouvidos.

- Não desanime. Há sempre um amanhã.


- Diga isso a ele - Dwight falou com um sorriso enquanto se afastava, deixando Marie imersa nos próprios pensamentos.

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O primeiro capítulo para vcs, meus xuxus ♥ Espero que gostem... Qualquer coisa é só me falar! Comentem para o próximo e para eu saber se gostaram ou não... Respostas aqui' Beijos, amo vcs <3