30.11.14

Apenas Amigos? - Capítulo 11 (Último) - MARATONA 4/4

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Joe sentou-se à mesa de sempre no Birelli’s, lendo o relatório de produção do mês anterior. Fazia dois dias que se encontrara com Demi no estacionamento. Não tornou a ligar. Ela também não.
Naomi parou a seu lado e verificou as horas no relógio de pulso.

— Ela nunca se atrasou. O que será que está havendo?

— Não sei se virá — Joe disse as palavras que estava evitando verbalizar.

Naomi levantou o copo de Demi e limpou a poça de água sob ele. O gelo havia derretido quase todo. Tornou a pousar o copo.

— Lá está! Não deixaria de vir — afirmou Naomi.

Através da vidraça do restaurante, Joe a localizou na calçada do lado de fora.
Respirou aliviado. Agora podia admitir o medo terrível que sentira de Demi não aparecer.
Ela o fitou com expressão indecifrável. Hesitou um pouco, em seguida virou-se e seguiu seu caminho.

— Mas... aquela não era Demi? Aonde vai? — Naomi ficou perplexa.

Joe deu de ombros. A vontade que tinha era de sair correndo atrás dela, insistir até a exaustão, para que Demi concordasse em se casar com ele. No entanto, já tentara isso, e não dera certo.

— Cancele a salada e me traga o stromboli. — Sua calma era espantosa, mesmo sentindo que morria por dentro.

Naomi afastou as lágrimas dos olhos.

— Essas são as palavras mais tristes que já ouvi.

Joe concordou.

No escritório, Demi girou na cadeira e olhou para o glorioso céu de Nashville através  da  janela. Aquele  panorama sempre a emocionava durante o crepúsculo, quando, no escuro, as luzes da cidade piscavam feito vaga-lumes.
Porém, naquele momento nada a emocionaria. Girou para a frente sentindo-se vazia por dentro. Fechou os olhos. O resto de sua via seria assim? Esse vazio? Talvez.
Sentiu-se  do  mesmo  modo  em  outras  ocasiões,  cada  vez  que  seus  pais prometiam vir apanhá-la e não vinham. Não era uma sensação nova. Só que antes havia Joe para lhe dar consolo. Agora, não.
Vestiu o casaco, pegou a bolsa e fechou a porta atrás de si. Movendo-se como uma sonâmbula, desceu de elevador até a garagem do edifício. Entrou no carro e juntou-se à loucura da hora do rush.
Cinco semanas sem Joe. Cinco semanas sentindo como se uma importante parte dela lhe tivesse sido arrancada.
Ele teria razão? Será que ela mantinha as pessoas a distância de propósito?
Achava que a reserva fazia parte de sua personalidade, mas não existia um pingo de reserva na paixão que descobriu em si mesma, na Jamaica.
Perdida em devaneios, fez uma curva e se deu conta de que se encontrava a caminho da casa de tia Caroline. Em meio à enorme confusão do tráfego, achou o caminho para o lugar que sempre lhe ofereceu refúgio, desde a infância.
Ultimamente, vivia encontrando desculpas para recusar os repetidos convites da tia para jantar. Não queria falar com ninguém sobre sua viagem à Jamaica, não queria que ninguém que lhe fosse próximo soubesse sobre ela e Joe. Talvez apenas uma parte disso fosse verdade, não queria ninguém perto dela.
Estacionou e aproximou-se da residência com uma sensação de retorno ao lar.
Passou direto pela entrada e encaminhou-se à porta dos fundos.
Que som familiar do choque de metal contra pedra, ecoando através da porta aberta da garagem para dois carros que servia de estúdio para tio Frank!
Abriu a  porta  e  dirigiu-se  à  cozinha.  Avistou  Caroline  em  um  canto  do aposento, ao computador, navegando na internet, uma taça de vinho ao lado.
Dois pratos de salada encontravam-se sobre a mesa.

— Olá...

Caroline virou-se, e seu rosto de imediato se alegrou. Afastou a cadeira para trás e ficou de pé.

— Demi! Que saudade! Começávamos a achar que você não nos amava mais. — De repente, ela franziu as sobrancelhas. — O que houve, meu bem?

Demi não planejara vir. Tampouco cair no choro e atirar-se nos braços abertos da tia. No entanto, foi isso mesmo o que fez.
Caroline a abraçou e consolou, mas não fez nenhuma tentativa de deter o fluxo de emoções incontidas.
Por fim, Demi se acalmou. Embaraçada, desesperada por uma caixa de lenços de papel, deixou os braços da tia e sorriu, tímida.

— Sinto muito, titia...

Caroline acariciou seus cabelos e a fez sentar-se.

— Não tem de se desculpar, querida. Sente-se aqui e me conte o que tanto a aflige.

Demi suspirou.

— Eu não queria ser como sou.

Caroline a interrompeu:

— Não gosto de vê-la assim tão deprimida, mas estou grata por ter vindo. Sabe desde quando espero que venha a mim? A vida toda.

— Por que está me dizendo isso, tia Caroline? — Demi perguntou, surpresa com a mágoa no rosto sempre tão alegre da tia.

— Sabe, meu bem... Pouco depois que nos casamos, eu e seu tio Frank descobrimos que não podíamos ter filhos.

Demi ficou ainda mais espantada. Sempre presumiu que eles não desejassem tê-los.

— Isso hoje não seria um grande problema, mas há trinta anos, os médicos não sabiam quase nada sobre infertilidade, e tampouco tínhamos dinheiro para fazer um tratamento adequado.

Caroline parou de falar por um instante, como se procurasse pelas palavras certas para se expressar.

— Foi quando Lynette engravidou. — O amor e suavizou sua expressão. — Você era tudo o que nós teríamos querido numa filha se tivéssemos uma. Linda e inteligente. Tentei com todo o empenho ficar feliz por Lynette e Vance, mas a situação me preocupava. Eram dois irresponsáveis vivendo feito ciganos, um dia aqui, outro acolá.... Eu costumava me preocupar, pensando se você tinha o que comer e um lugar para ficar. Fiquei exultante quando a deixaram comigo. E muito grata. Foi uma dádiva para nós, querida, uma bênção que não esperávamos obter. — Caroline falava com uma determinação que Demi poucas vezes ouvira nela. — Na época, eu me envergonhava, como me envergonho agora, por ter ficado tão feliz com algo que tanto sofrimento lhe causou.

— Oh, titia...

— Bem pequena você já era arredia. Eu achava que, se nós demonstrássemos o quanto a amávamos, acabaria nos aceitando e nos amaria também. Perdoe-me, Demi, mas eu tinha certeza de que ficaria muito melhor conosco. Jamais fiz nada para manter seus pais afastados, mas também não fiz muita questão de que eles se aproximassem, porque a queria para mim. Essa é a verdade.

As lágrimas inundavam seus olhos. Demi se levantou e a apertou contra si.
Eles a amavam. O tempo todo s tios a amavam e a queriam como filha. Não se tratava de uma obrigação.

— Eu achava que vocês só me aceitavam porque eram bondosos demais para me rejeitar.

— Meu bem, temos adoração por você. Lembra-se de Bóris, aquele gato enorme e sem dono que perambulava por essas redondezas?

— Sim, lembro.

Bóris aparecia em casa para comer, mas não confiava em ninguém e era bem pouco tolerante.

— Você colocava comida lá fora e ficava observando-o se alimentar. Ia aos poucos tentando se aproximar dele, mas jamais conseguiu tocá-lo. Foi então que ele e Duquesa ficaram amigos, e você desistiu de tentar domesticá-lo. Bóris não estava mais sozinho.

Demi assentiu. Na época, ela desejara muito aproximar-se de Bóris.

— Você era como aquele gato, esquiva e nada comunicativa. Mas por fim conheceu Joe. Eu e Frank achamos que você, enfim, estava feliz, embora não tenhamos nunca desistido de querer que se aproximasse de nós.

Demi não imaginava que os fazia sofrer com seu distanciamento.

— Lamento muito, tia Caroline.

— Não lamente. Eu entendia muito bem sua atitude. É muito difícil aprender a confiar.  Você  não  conseguia  acreditar  que  não  tornaria  a  ser  abandonada.  Nós devíamos tê-la levado a um terapeuta, para ajudá-la a lidar com mais facilidade com a rejeição. Mas o dinheiro era curto, e nós acreditávamos que nosso amor bastaria.

Demi se sentia como um dique com um pequeno buraco. Não conseguiria suportar por muito mais tempo a pressão da água do outro lado. As palavras de Caroline  derrubaram  a  parede  que  circundava  seu  coração  por  mais  tempo  que conseguia lembrar.

— Por quê? Por que eles não me queriam, titia?

— Imaturidade. Deve ter sido isso. Por ser a caçula, Lynette foi mimada demais por nossos pais. Mas talvez fosse sua natureza, mesmo. — Caroline deu de ombros. — Ao longo da vida, você descobrirá que muitas vezes nós ficamos sem determinadas respostas. As coisas são como são, e temos de aprender a conviver com elas.

— Para mim isso ainda não é suficiente.

— Esqueça o que passou, meu bem, e prossiga adiante. Olhe para mim, Demi. — Segurou o rosto da sobrinha. — Seus pais erraram, mas o que deve manter em mente é que os errados foram eles, não você. Cheguei a pensar que tivesse se decidido a não se importar mais, não permitindo que eles a magoassem.

— Eles já não me magoam mais.

— Não. Continuarão magoando enquanto não deixar o passado para trás e assumir o controle de seu destino, querida.

— Meus pais não têm poder sobre mim.

— Têm, sim, porque você continua deixando que eles a controlem. Continua lhes conferindo essa capacidade, porque ainda tem medo de abandono e de deixar que alguém se aproxime. A vida poderá ser muito boa para você, meu bem. Não permita que eles, ou quem quer que seja, arruíne isso. — Caroline fez uma pausa, como se considerasse com cuidados o que diria a seguir: — E não admita que destruam tudo o que você poderá viver ao lado de Joe.

Demi deixou-se cair na cadeira.

— O que sabe a respeito de Joe?

— Ele telefonou, faz alguns dias. Joe a ama, Demi, de todo o coração, assim como você também. Para mim e para Frank, não foi nenhuma novidade. Há anos sabemos desse amor.

— Mas com todas aquelas namoradas... Todos aqueles relacionamentos...

— Nenhuma delas importava. Aquele era o modo de Joe correr assustado. Se olhar com atenção, querida, sob todo aquele charme, descobrirá que Joe também é como Bóris. Sua mãe escolheu beber até se matar, e o pai nunca lhe deu importância, só querendo saber de suas amantes. Joe foi rejeitado também. Mas quando vocês se conheceram, você se tornou a Duquesa do Bóris que ele era. Nunca vi duas pessoas que foram destinadas uma à outra custarem tanto a reconhecer isso!

Demi permaneceu alguns minutos sentada, absorvendo o que ouvia.

— Por que não disse tudo isso antes, titia?

— Porque seu coração ainda não estava pronto.

— Mas e se...

Caroline pousou a mão em seu ombro.

— A vida não vem acompanhada de nenhuma garantia, meu bem, e você precisa viver e amar como se o amanhã não existisse. E rezar pelo melhor.

Demi abraçou Caroline e, nesse gesto, encontrou a coragem para dar voz às palavras que nunca fora capaz de pronunciar:

— Eu te amo muito, titia...

(...)

Joe não conseguia ficar sem ir ao Birelli’s nas quinta feiras, embora por cinco semanas Demi não aparecesse por lá. Cinco longas semanas...
Em vez de aguardar que ela aparecesse, ele agora aproveitava o horário do almoço para ler os relatórios da empresa.
Naomi surgiu do nada e depositou um copo de chá no lugar oposto ao dele.

— Volte à terra, Naomi. Você já trouxe meu chá.

— Mas ainda não para ela.

Quando Joe ergueu a cabeça, seu coração quase parou. Demi encontrava-se à soleira, desta vez do lado de dentro, parecendo forte, e ao mesmo tempo, vulnerável.

Ela parou junto dele, segurando a alça da bolsa a tiracolo.

— Posso me sentar?

— Claro. Esse é seu lugar.

Demi se acomodou, e Naomi sorriu para ela.

— Voltarei em um instante com a salada.

— Espere. Vou querer stromboli de franco com espinafre.

— Nada de salada?

— Desta vez, só o stromboli, se não se importa.

— Não, de modo algum. — E Naomi se foi com um sorriso largo.

Um silêncio tenso se instalou. Afinal, o que eles eram? Dois amigos? Amantes? Joe não sabia. Tinha certeza tão-só de que amava aquela mulher e sentira uma tremenda falta dela.

— Então? Veio até aqui para dizer que se casará comigo?

— Bem, para ser franca, sim. Foi para isso que vim.

Mas Joe precisava saber o motivo de ela ter mudado de idéia.

— Por quê?

— Porque quero me casar com você, ora! — Jogou os cabelos para trás, e sua mão não tremeu.

— Por que agora?

— Porque esse é o único modo de eu convencê-lo a fazer amor comigo. — Ofereceu-lhe um sorriso terno.

— Então é isso?

Ela havia recuperado o bom humor. Era um bom começo.

— Eu te amo, Joe — Demi apenas sussurrou a confissão.

— Você me amava antes, e parece que isso não foi o bastante.

Demi tomou a mão dele e a levou aos lábios, e foi como se ela o trouxesse de volta à vida após semanas apenas existindo.

— Perdi o temor, Joe. Não tenho mais medo de amar você, nem de permitir que me ame.

— Como vou saber que não tornará a temer? Estar afastado de você nessas últimas semanas foi intolerável... Não suportarei passar por tudo isso de novo.

— Precisa confiar em mim, assim como eu precisei confiar em você. Quero ser sua mulher e envelhecer a seu lado. Preciso disso. Você proporcionou a minha vida as mudanças de que eu necessitava. E o fluxo e o refluxo de meu oceano, Joe.

— E você é a areia em minha praia, meu porto seguro.

Joe procurou algo no bolso, e dele tirou a caixinha de veludo preto que trouxera da Jamaica e que conservava consigo. Sentia-se com os nervos à flor da pele ao entregar o presente a ela.
Demi a abriu e, encontrou o anel.

— Oh, Joe... É muito lindo!

Ele levou a mão à nuca de Demi, sob a cascata sedosa de sua cabeleira, e puxou-a para mais perto, seu corpo se acendendo em resposta à proximidade, a seu calor.

— Podemos comprar uma aliança de brilhantes ou um solitário, se preferir
.
— Não. Eu quero esse. Quando o comprou?

— Na Jamaica. Uma tarde antes de eu lhe propor casamento.

— Também tenho algo para você... — Ela pegou seu queixo, e sua boca encontrou a dele, num beijo apaixonado.

Então, retirou um envelope da bolsa e colocou-o diante dele. Joe o abriu e encontrou duas passagens de avião da Air Jamaica, junto com uma confirmação de reserva de uma suíte no Hot Sands.

— Estava assim tão segura de mim, é?

— Não, querido. Estava segura de nós dois.

Naomi chegou com os pedidos.

— Será que nós podemos levar para casa? — Demi lhe perguntou.

Naomi apanhou as travessas de volta com ar travesso.

— Sem dúvida! Vão querer sobremesa?

— Não, pode deixar. Compraremos algo no caminho. Bombas. Com muito recheio de chocolate.

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Último capítulo da fic e da maratona! Espero que tenham gostado... Comentem para o epílogo! Beijos, amo vcs ♥

Capítulo programado.

Apenas Amigos? - Capítulo 10 - MARATONA 3/4

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Joe a encontrou na praia, o olhar perdido no oceano. Endireitou os ombros.
Apesar de ter o orgulho ferido, ele se recusava a deixar as coisas como estavam. Não dava a menor importância ao fato de Demi o ter deixado à mesa, sozinho.
A areia rangia sob seus pés ao caminhar. Parou atrás dela, sem tocá-la.
Demi falou sem se voltar:

— Não posso culpá-lo por estar zangado comigo. Sei que o magoei, mas não queria que nada disso acontecesse. — A emoção enrouquecia sua voz. — Confesso que não esperava que você viesse me procurar. Achei que não iria querer me ver nunca mais.

— Que tolinha... Você significa muito para mim. — Joe a fez virar-se e a abraçou. Sentiu seu rosto molhado contra o pescoço. Acariciou lhe a cabeça. — Está tudo bem. As coisas logo voltarão ao normal.

— Acha que existe alguma possibilidade de voltarmos a ser como antes?

— Não sei...

Joe podia sentir seu medo.

— Gostaria muito que isso acontecesse.

Foi como se uma luz tivesse sido acesa em seu íntimo. Demi não estava dando um passo à frente, abraçando uma nova fase do relacionamento, mas sim andando em círculos, querendo que eles voltassem a ser os amigos de antes.

— Ouça seu coração, Demi. Não podemos andar para trás. A vida segue em frente, e as mudanças podem ser boas.

— É por isso que jamais dará certo entre nós. Você não pode viver sem mudanças, Joe. É viciado nelas. Como será quando se cansar de mim como esposa? Quando o sexo deixar de ser fenomenal? Acha que depois disso tornaremos a ser amigos?

— Mas não é mais ou menos o mesmo que está acontecendo agora? Não vejo nenhuma diferença.

— A diferença está no nível de comprometimento. É muito mais complicado ser marido do que ser amigo.

Joe deixou cair os braços.

—  Está  dizendo  que  não  confia  em  mim  emocionalmente?  —  Aquilo machucou. — Nunca se queixou disso antes, quando eu era apenas amigo. E como amante, me pareceu bastante satisfeita. No entanto, crê que não dá para confiar em mim como marido. Obrigado, Demi.

— Pense nas várias mulheres que passaram por sua vida.

— Há muitos peixes no mar, e eu gosto de pescar.

Aquilo soou pouco convincente até mesmo os próprios ouvidos. Ele de fato teve muitas namoradas antes de Demi, e ela sabia de cada uma delas.

— E agora já está pronto para abandonar a vara de pesca? Com todos aqueles peixes? Não acredito.

— Nunca pedi outra mulher em casamento. Nunca me senti desse modo em relação a ninguém. E jamais me sentirei. Você é a única que eu quero, Demi. — Ele podia ser tão teimoso quanto ela.

Uma nuvem encobriu a lua, e a praia mergulhou numa negra escuridão.

— Talvez você deva ouvir seu coração. Posso ser competitiva, mas você é um competidor consumado. Não destrua nossa amizade só porque sua vaidade não permite que eu seja a primeira a rejeitá-lo.

Joe não era o melhor vendedor da empresa à toa, e sabia quando devia recuar.

— Está bem. Por enquanto, deixemos tudo como está.

Mas era melhor ela se preparar. Porque ele não iria desistir tão fácil da melhor coisa que lhe acontecera.
Doze horas até que embarcassem no ônibus rumo ao aeroporto. Doze horas até que aquela loucura terminasse. “Amanhã será um novo dia.” No dia seguinte, Demi ponderaria sobre a proposta de Joe, desmancharia as tranças e pensaria no futuro relacionamento deles.
Naquela noite ela queria seu amante.

— Sei que planejamos ir à festa na praia e depois ao Jungle Room. Mas, para ser sincera, prefiro voltar para o quarto.

— Também não estou interessado em ir a lugar algum. Quero apenas estar com você.

Ela prendeu o fôlego.

— Eu também. Quero ficar a seu lado.

Caminharam em silêncio até a suíte, embalados pelos distantes sons da festa que se desenrolava.
A porta se fechou atrás deles, aprisionando-os na intimidade do aposento. A iminente volta a Nashville, a proposta de Joe e sua recusa, tudo aquilo criava um clima de desespero e de saudade.
Joe sentou-se no sofá, pegou a mão dela e puxou-a para o colo.

— Demi...

Ela o abraçou e perdeu-se em seus beijos.

(...)

Joe guardou a última peça de roupa na mala e fechou o zíper.

— Pronta?

De onde estava, recostada no batente da porta e olhando para a piscina, Demi se virou.

— Sim, estou.

Fizeram amor durante toda a noite, e mais uma vez pela manhã, sob o chuveiro.
Longe de estarem saciados, continuavam desesperados um pelo outro.
O pensamento perturbador passou pela cabeça de Joe. Se eles fizessem amor até a morte, não precisariam se preocupar com o que aconteceria depois.
No momento em que Demi terminou de arrumar a bagagem, ela parecia ter se cercado de uma parede de distância, usando a amizade deles como argamassa.

— Acho que não preciso lembrá-lo de que Elliott e Kiki estarão no mesmo ônibus para o aeroporto, e que viajaremos juntos no avião. Eles, sem dúvida, ficarão de olho em nós dois.

Joe gostaria de dizer que não dava a mínima para nenhum dos dois, mas não era verdade. Não queria que Elliott achasse que Demi estava disponível. Ela poderia se considerar assim, mas não estava, e conseguir convencê-la disso era uma questão de tempo, e Joe não precisava de Elliott por perto enquanto tentava fazer isso.

— Nem me lembro de que aqueles dois existem. — Joe deu uma risadinha e aproximou-se. Prendeu as mãos dela atrás na parede, aprisionando-a. Inclinou-se para a frente, inalando seu perfume, incentivado pela paixão que ardia nos olhos dela. — É você que me importa, mais do que tudo no mundo. Só você...

(...)

— Acorde, Demi. — Joe a sacudiu com suavidade. — Estamos aterrissando.
Com a cabeça apoiada no ombro dele, ela relutou em abrir os olhos. Queria aproveitar os últimos segundos de seu calor, do aroma de sua loção após a barba, do ritmo de seu coração, e da textura de sua pele.
Por fim, entretanto, endireitou o corpo. Joe afastou-se um pouco para prender o cinto de segurança, primeiro o dela, em seguida o próprio.

— Dormiu quase a viagem toda. Se sente melhor agora?

— Muito melhor. Não sabia que estava tão cansada.

— Também, pudera! Depois de toda aquela atividade... Além do mais, esta noite você não dormiu quase nada.

Joe beijou-lhe o rosto, ao mesmo tempo em que se ouviu um movimento no assento atrás deles. Elliott tentava ouvir o que diziam.
Demi deu um beijo apaixonado na boca de Joe.

— Desculpe-me se a mantive acordada até o amanhecer.

— Hum... Foi um prazer.

— Se foi!

Patético. Ali estavam eles, armando um show para Kiki e Elliott, e Demi tirando proveito daqueles últimos minutos de intimidade com Joe. Umas poucas frases sugestivas, alguns toques de ternura e mais uma vez o desejava.
Esquecendo do bom senso, os olhos de Demi baixaram até abaixo de seu cinto.
Oh. Eles estavam no mesmo barco.

— Demi...

Distraída, ela não se deu conta de que o avião pousava.

—... se não parar de olhar para mim desse jeito, será muito embaraçoso descer deste avião.

— Oh...

A aeronave taxiou na pista e parou no local de desembarque. E em seguida aquela espera embaraçosa na fila em frente a Elliott e Kiki até que desembarcassem.

— Bem, confesso que foi uma semana bastante diferente da que imaginei — Kiki comentou.

O que se deve dizer à mulher que foi para a cama com nosso namorado, esperando que nos juntássemos a eles para uma orgia entre casais?
Demi sorriu.

— Nunca imaginei que seria tão excitante. Adorei!

Atrás de Kiki, Elliott ficou vermelho feito um pimentão. Joe passou um braço possessivo em torno dos seus ombros.

— Foi a melhor semana de minha vida — disse.

Kiki sorriu para Joe.

— Não deixe de ligar para mim.

Uma pontada de ciúme fez Demi cerrar os punhos e querer esmurrar seu belo rosto.

— Não conte com isso.

A falta de interesse de Joe e o tumulto dos passageiros querendo descer do avião evitaram que Demi cometesse tal estupidez.
Avançou pelo corredor estreito. Era por causa disso que ela e Joe não dariam certo. Ele era como um pote de mel atraindo abelhas. As mulheres o adoravam.
Desejavam-no.
Naquele momento ele não estava interessado em Kiki, mas e depois? Não podia culpá-lo pelo assédio feminino. Após sua primeira namorada, na escola secundária, Joe jamais saiu com uma garota por mais de umas poucas semanas. Batera um recorde alguns anos atrás com uma ruiva chamada Judy. Ficaram juntos por um mês.
Entraram no túnel que os levaria ao terminal de desembarque. Joe mantinha-
se atrás dela.

— Espere. Eu disse a ela que não iria ligar.

Demi se virou. Não era culpa dele. As coisas eram assim mesmo. Então, fez melhor do que esmurrar Kiki: enlaçou-o pela cintura, como se tivesse todo o direito de fazer isso.
No terminal, Demi o puxou para o lado e o beijou na boca. Kiki que levasse aquilo com ela para casa.
E perdeu a noção do tempo e do lugar, e até do próprio nome. Beijar Joe tinha a tendência de afetá-la daquele modo.
Joe correspondeu com ardor.

(...)

Nashville estava fria e chuvosa. Mesmo o condomínio onde Demi morava, que sempre foi confortável, pareceu também frio e úmido.
Largou a bagagem no meio da sala e tirou os sapatos. Ligou a secretária eletrônica e passou a ouvir as mensagens, enquanto acendia o fogo na lareira:

“Olá, querida. Espero que tenha aproveitado bem as férias. Quero que me conte  tudo sobre  a viagem.  Por  que  não  vem  jantar  conosco na terça?  Traga Bridgette. Nós gostamos muito dela e estamos com saudade”.

Quando Demi passou para pegar Bridgette, tia Caroline e tio Frank estavam fora. Demi sentiu-se cheia de culpa por ter ficado aliviada por não tê-los encontrado.

Teria de preparar um relatório da viagem antes de falar com os tios, na terça à noite.
Sentou-se no sofá e fez um afago em Bridgette. A cadelinha balançou a cauda, feliz.
A mensagem número dois era de Joe:

“Liguei para saber se você chegou bem. Ligue pra mim. Beijos”.

Logo em seguida, o telefone tocou. Quem seria? Joe? Tia Caroline?

— Alô?

— Demi? Você chegou bem?

“Joe!” Seu coração disparou.

— Sim, cheguei. Estava ouvindo minhas mensagens.

— Ouça, doçura...

— Joe, você não pode me chamar assim.

— Chamar de quê?

— De doçura.

— Ah...

— Não é apropriado. Volte a me tratar como sempre, de Demi.

— Prometo que tentarei.

— Você conseguirá. Costuma se sair muito bem em situações difíceis. — Não devia ter dito aquilo, mas sentia uma enorme falta dele.

— Confesso  que a  situação  atual é  uma das  mais  duras  que já  precisei enfrentar. — O silêncio estendeu-se através da linha. — Sinto sua falta.

Demi também saudade dele, e estavam separados fazia apenas duas horas.

— Hoje é domingo. Não quer vir até aqui?

Não havia nada de sugestivo no convite. Eles costumavam tomar o lanche da tarde juntos, aos domingos.

— Posso comprar uma pizza a caminho daí, se você quiser.

— Compre de mussarela?

— Só de mussarela?

— Sim. Preciso iniciar minha dieta.

— Está bem. Levarei uma caixa com bombas de chocolate. Estarei aí dentro de uma hora. — E Joe desligou antes que ela pudesse responder.

Joe chegou com a pizza, as bombas e uma embalagem com seis cervejas.
Não que estivesse desesperado para vê-la, ou algo parecido. Ligou para ver se estava tudo em ordem, e Demi o convidou para o lanche. Como sempre fazia aos domingos.

— Olá. Entre... — Demi abriu a porta e afastou-se para dar-lhe passagem. — Coloque tudo na mesinha, por favor.

— Então desmanchou as tranças?

— Foi preciso. Estávamos na Jamaica; agora, em Nashville.

Claro. Ele captou a mensagem. Largou as caixas sobre a mesinha e inclinou-se para fazer um afago atrás da orelha de Bridgette.

— Ei, garota, como está?

A cadela lambeu sua mão.

— Quer assistir ao jogo na televisão? — Ele se endireitou.

— Pode ser.

Ligou o aparelho, enquanto Demi se preparava para servir a pizza.

— Aceita uma cerveja? — ela perguntou da cozinha.

— Sim, obrigado.

Demi  retornou  à  sala  trazendo  uma  bandeja  com  pratos,  talheres  e  duas cervejas.

— Sabe em que canal é o jogo?

— Tente o canal cinco.

Joe sentou-se na ponta do sofá e abriu a embalagem da pizza. Não estava com fome, mas a pizza lhe proporcionaria algo a fazer além de ficar adorando Demi.
Assistiram ao jogo, comeram, beberam e aplaudiram seus respectivos times.
Ali não corria a brisa vinda do mar. Não havia música jamaicana tocando ao fundo. Nem o ventilador de teto funcionava. O motor queimara no último outono, e Demi ainda não o substituíra.
Não estavam mais na ensolarada Jamaica, e sim na fria Nashville. As coisas deveriam ter voltado a ser como nos velhos tempos. Mas não isso não aconteceu. Joe a desejava tanto que temia enlouquecer. A tensão, o desejo, a necessidade estendiam-se entre eles.

— Quer uma bomba, Demi?

— Pensei que você não fosse oferecer.

Nenhum dos dois olhou para a caixa sobre a mesinha. Joe estendeu a mão e a enterrou na massa de cabelos sedosos, a boca se apossando e devorando a dela. Demi o segurou pela nuca, forçando-o a chegar mais perto.

— Oh, doçura, senti muita saudade!

(...)

Como costumava fazer havia sete anos, na quinta-feira ao meio-dia, Demi entrou no Birelli’s para seu almoço com Joe. Durante aqueles anos todos, ela chegou ali feliz com as boas notícias, deprimida com as más, frustrada com o trabalho, com o namorado ou com os pais. Entretanto até aquele momento, nunca chegou tão nervosa.
Tentou aquietar as batidas descompassadas de seu coração. Aquele nervosismo todo era ridículo.
Joe se encontrava à mesa de sempre. Desviou-se do relatório que lia quando ela se sentou na cadeira ao lado.

— Como está?

— Bem, muito bem. — Sentindo-se como uma tímida adolescente, ela o devorou com os olhos, como se fizesse meses que não o via, e não apenas quatro dias.

Naomi aproximou-se com dois copos de chá gelado.

— Aqui estão vocês. Trarei o stromboli em um minuto. Como foram as... — Parou de falar e olhou de Demi para Joe e vice-e-versa, sentindo o clima. — Não me digam que vocês... estão namorando!

Naomi não esperou pela confirmação.

— Estamos apostando nisso há mais de dois anos! Eu sabia que era só uma questão de tempo. Esperem até eu contar para George! — E a garçonete se afastou apressada em direção à cozinha.

Ótimo. Parecia até que ela erguera uma bandeira proclamando estar dormindo com Joe Jonas. Sorriu acanhada para os costumeiros freqüentadores do restaurante, que tinham as cabeças voltadas em sua direção.
Joe deu de ombros.

— Não dê importância a eles, meu bem.

Mais calma, Naomi retornou.

— Queiram desculpar o entusiasmo, mas gosto de vocês... Formam um belo casal.

— Agradeço, Naomi, nós também gostamos de você.

— E então? O que vão querer? O mesmo de sempre? O stromboli, uma salada...

Em seguida, Naomi se foi com os pedidos.
Eles não tocaram no assunto trabalho, e a refeição transcorreu em meio a um clima de desespero e desejo.
Sentada ao lado dele, Demi mantinha-se ciente de cada roçar da perna dele na sua,  do  aroma  de  sua  loção  após  a  barba,  da  cadência  de  sua  voz,  da  tensão envolvendo-os naquele casulo de intimidade.

— Posso trazer um baklava? — Naomi indagou ao se reaproximar.

Demi fingiu estar consultando as horas no relógio de pulso.

— Não para mim. Preciso voltar para o escritório.

— Hoje não. Obrigado.

— Eu é que agradeço...

Os dois se levantaram. Joe seguiu Demi, a mão pousada em suas costas.
Pararam na calçada. A mão dele escorregou, possessiva, para seu quadril.

— Onde estacionou o carro? — ele quis saber, perto o suficiente do ouvido dela para fazê-la estremecer.

— A duas quadras daqui.

— Deixei o meu no estacionamento vertical, aqui em frente. Venha comigo. Depois lhe dou uma carona até seu automóvel.

Atravessaram a rua e esperaram pelo elevador. As portas mal se fecharam e lá estavam eles, um nos braços do outro.
Os lábios de Joe eram quentes e firmes contra os dela, como era o corpo dele pressionando-a contra a lateral do elevador. Escorregou a mão sob sua saia e agarrou suas nádegas.
A  campainha  do  elevador  tocou  naquele  instante,  anunciando  a  próxima parada, no quarto andar. Afastaram-se rápido.

— Onde estacionou, Joe?

— No final da próxima fila, ao lado daquela caminhonete.

— Vamos. Depressa! — Demi o arrastou até lá.

— Lado do passageiro — Joe instruiu. Contornou o veículo e abriu a porta.

Assim que se acomodou, puxou Demi para o colo. Bateu a porta, apagou a luz e reclinou o assento.
Demi ergueu a saia e se pôs sobre ele. Se não estivesse excitada ficaria naquele momento, vendo seu olhar de absoluta luxúria.

— Oh, Demi... — Joe gemeu, uma das mãos no zíper da calça, a outra, na parte de trás da coxa dela.

Demi tinha a cabeça dele entre as mãos e o beijava com sensualidade, a língua ávida buscando a dele.
Joe escorregou os dedos para sua calcinha e a afastou para o lado. Então, posicionou-se entre as pernas dela.
Um fogo nascia em cada ponto em que os corpos se tocavam. Chamas de puro deleite e alegria espalharam-se e se fundiram.
Demi arqueou-se para trás, numa entrega total, um convite explícito para que Joe fizesse do corpo dela a fonte de seu prazer.
Sentiu o clímax chegando e não se conteve mais. Deixou-se banhar por uma chuva de prata, que a envolveu por completo. Sua respiração cessou, seus pensamentos desapareceram. Só restou o encantamento.
Enquanto tremores  de  alívio  sacudiam  Joe, ela  o chamou pelo  nome e segurou-o com mais força. Por fim, aliviados, satisfeitos e completos, deixaram-se cair, exaustos, abraçados.
Demi saiu do carro, meio perplexa e muito frustrada. Por que Joe quis encontrá-la justo naquele estacionamento municipal, e naquele dia frio de inverno, estava além de seu entendimento. Estava excitada, e naquele local não havia muita chance de abrandar aquela ânsia louca por Joe, que a maltratava. A não ser que ele tivesse encontrado alguma vaga escondida para estacionar. Seu sangue correu mais rápido nas veias diante da possibilidade.

(...)

Joe a esperava sentado em um banco que dava vista para o lago, a gola da jaqueta erguida contra o frio.

— Joe, tudo bem? — Demi estremeceu, apesar do longo casaco de lã. — Está gelado aqui fora. Vamos nos sentar dentro do carro?

Ele ficou de pé para cumprimentá-la, mas não a tocou.

— Não. Lá eu me distrairia. Por isso insisti para que nos encontrássemos aqui fora, apesar da baixíssima temperatura.

Sentando-se no banco, ela também não sorriu. Tinha um mau pressentimento.
Joe tornou a se acomodar.

— Chamei você aqui porque nós precisamos conversar. — Ele passou a mão pelos cabelos. — Isso não vai dar certo...

Demi sentiu um aperto no peito, embora soubesse que, cedo ou tarde, aquela ocasião chegaria. Sabia disso desde o primeiro beijo que trocaram. Joe a deixaria.
Verificou a data no relógio de pulso sorriu com amargor.

— Catorze dias. Menos do que imaginei. Esperava que fôssemos bater o recorde, ficando juntos por mais de um mês, mas me enganei.

— Droga, Demi, você quer me ouvir?

— Tem toda minha atenção.

— Não podemos continuar fazendo sexo desse modo. Eu me recuso.

— Mas sexo é tudo o que...

— Pois é. Fazemos sexo o tempo todo. Algumas vezes após o almoço, outras após o cinema. Sempre acabamos fazendo sexo. Não tenho nada contra. E é ótimo, mas é só o que existe. Quanto mais unidos ficamos fisicamente, mais nos separamos emocionalmente. Você não sente isso? Não sente que isso está nos destruindo?

Demi experimentou um enorme vazio. Joe estava certo.

— Toda vez que eu penso em tocar no tema “casamento” acabo desistindo. Mas isso não tornará a acontecer. Case-se comigo, Demi.

— Não posso.

— Tenho esperado a vida inteira por você. As outras garotas não passaram de tentativas malucas de fugir daquilo que estava diante de meus olhos. Será que não vê? Elas eram seu oposto, e, claro, nenhuma delas durou. Não era para durar. Devo ser um pouco lento, mas acabei entendendo. Você é tudo o que sempre desejei, tudo o que sempre quis. Eu te amo, te amo tanto que chega a machucar!

— Não, Joe.

— Você também me ama. Tenho certeza disso. — Ele tomou as mãos dela.

Demi esperava ansiosa que Joe terminasse de falar, porque não conseguia mais suportar aquilo.

— Essa doce conexão entre nós sempre existiu. Desde a primeira vez em que a vi, no bosque atrás de minha casa. Lembra-se da Jamaica? Do mar da Jamaica? Nosso relacionamento é igual ao oceano. As marés mudam sem cessar. Uma hora estão calmas, depois, tempestuosas. Mas não falha, estão sempre lá.

Demi já esperava por aquilo. Igual a como aconteceu com Elliott. Desde o começo sabia que ele a deixaria.

— É uma bela analogia, mas não posso... Você é bastante persuasivo. Mas...  

— Não faça isso conosco, Demi.

— Não estou fazendo nada. É você quem está me dando um ultimato. Não acaba de afirmar “casamento ou nada”?

Ele estava querendo mais do que ela poderia dar.

— Tentei fazer as coisas a seu modo, mas não é suficiente. Quero acordar todas as manhãs e sentir seu calor. Quero envelhecer a seu lado.

— Não creio que possamos ter essas coisas.

— Sabe o que eu acho? Está tão assustada que não consegue me ver como sou de  verdade.  Era  muito  agradável  e  seguro  quando éramos  apenas  amigos,  não? Podemos ter amigos e manter uma distância confortável deles. E quanto ao homem com quem você sai? Não é necessário haver nenhuma profundidade emocional ali. Tudo bonito, tudo seguro, nada para perturbar. Não doeu nem um pouco quando você rompeu com Elliott, não foi?

— E quanto a suas namoradas? Alguma vez houve envolvimento sério? Doeu muito quando terminou com alguma delas? Não me faça rir!

— Pelo menos eu admito isso. Você conserva todos afastados. Seus tios, Caroline e Frank. Eu. Seus colegas de trabalho... Não muito antes de partirmos para a Jamaica, me acusou de ser emocionalmente imaturo. Mas está na hora de parar e dar uma olhada em si mesma. Sabe por que sou o último homem com quem você se casaria? Esconda-se atrás de minha fama de conquistador, se isso a faz se sentir melhor. Mas a realidade, Demi, é que não quer se casar comigo porque me ama, e isso não fazia parte de seus planos.

Ela mantinha a coluna reta. Caso contrário sabia que desmoronaria diante dele.

— Bem, espero que agora você esteja se sentindo melhor. Eu não estou.

— Não é essa a questão, e sim de salvar a nós dois.

— Então, sua proposta continua irredutível? Casamento ou nada?

— Não vejo outra saída.

— Bem, sendo assim, acho que não há mais nada a dizer.

Joe se ergueu.

— Você sabe onde me encontrar, se mudar de idéia.


Os passos dele ecoavam na calçada, ao se afastar. Diferente de quando seus pais a abandonaram, desta vez, pelo menos, ela sabia que não haveria retorno. De algum modo, aquilo tornou sua mágoa mais suportável.

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Comentem, estou de olho... Amo vcs! Beijos ;*

Capítulo programado.

Apenas Amigos? - Capítulo 9 - MARATONA 2/4


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Joe deixou a suíte após ter recusado o convite que Demi lhe fez de juntar-se a ela na piscina. Tinha algumas coisas para providenciar antes que anoitecesse. Afinal, não era todo dia que um homem propunha casamento a uma mulher.
Verificou as horas no relógio de pulso e dirigiu-se ao restaurante. A primeira coisa a fazer era encontrar Martin e pedir sua ajuda.
O restaurante ainda estava fechado, porém Martin já estava a postos, dobrando uma pilha de guardanapos junto com dois colegas. Ao avistá-lo, o garçom cruzou o salão com um amistoso sorriso nos lábios.

— Olá! Posso ajudá-lo?

— Sim, eu queria um favorzinho.

— Diga.

— Amanhã será nosso último dia na Jamaica.

— Que pena... Espero que tenha gostado daqui.

— Gostei muito, tanto que pretendo voltar em breve, em nossa lua-de-mel.

— Então vão se casar? Meus parabéns! Grandes comemorações esta noite?

— É por isso que estou aqui. Quero programar algo, fazer uma surpresa para Demi.

Martin sorriu mais largo.

— É a magia da ilha mais uma vez funcionando. Notei esse encantamento entre vocês dois no momento em que os vi. Foi mais ou menos o que aconteceu comigo e com Mathilde.

— Bem, quero que esta noite seja especial. Pode nos reservar uma das mesas de frente para o mar? Eu gostaria também de um bom vinho para brindarmos o grande acontecimento. — Joe então se lembrou de algo muito importante. — Oh, claro! E um anel de noivado. Não posso fazer o pedido sem ele.

— Sim, o anel. Minha prima Angelique trabalha na joalheria do saguão do hotel. Ela lhe mostrará seu belo estoque de jóias.

— Obrigado pela ajuda, Martin.

Demi talvez preferisse a tradicional aliança de brilhantes. Quando chegassem a Nashville, ele providenciaria uma. Por enquanto, o anel da prima de Martin serviria muito bem.

— Não precisa agradecer, Joe. Foi um prazer.

(...)

— Estamos um pouco adiantados para nossa reserva. Que tal tomarmos um drinque no bar? Ou prefere um passeio pela praia? — Joe parou do lado de fora do restaurante, lindo em seu traje formal.

— Prefiro o passeio. A praia está quase deserta.

Demi precisava de alguma atividade física. A perspectiva da partida no dia seguinte a punha melancólica. E seu estado de espírito piorou quando Joe recusou seu convite para irem para a piscina. Aquilo lhe representou o começo do fim.
Foram em direção à praia. Demi parou na areia, já próxima da água, e começou a descalçar as sandálias.

— Melhor tirar isso. Não quero virar o tornozelo, como da outra vez.

Joe passou a carregar suas sandálias na mão direita, o braço esquerdo passado pela cintura estreita.

— No fim, tudo acabou bem. Nossas férias na Jamaica foram perfeitas.

Pararam à beira do mar, onde a areia era úmida e firme, abraçados, sentindo a maré alcançar seus pés e tornozelos.

— É espantoso como as marés são constantes, não importa o que esteja acontecendo no planeta.

— É verdade...

Caminharam devagar pela orla. Os prédios do resort deram lugar a uma densa vegetação.

— Está vendo aquele banco ali entre as árvores, Joe? Por que não nos sentamos para apreciar o pôr-do-sol?

— Certo. Dali teremos uma bela visão do oceano, além de toda privacidade.

Demi tornou a calçar-se. Joe afastou um galho de árvore, e os dois se sentaram. Como conseguir apreciar a paisagem quando ela não podia pensar em outra coisa além da pressão da coxa dele contra a sua? Quando a ânsia louca dentro dela implorava para ser saciada? Tinham tão pouco tempo... Até o dia seguinte, quando iriam para casa e tudo o que viveram se tornaria apenas recordações.

— Demi? — Joe respirou contra seu pescoço, com voz baixa e acariciante.

— Sim?

— Lembra-se daquela noite na praia?

— Claro que me lembro.

— É super excitante fazer amor em um lugar público, não acha?

— Sem dúvida... é muito estimulante.

Joe se levantou e contornou a banco, parando atrás dela, excitadíssimo.

— Levante-se, Demi.

Ela o obedeceu. O ruído de um zíper sendo aberto e a respiração forte de Joe soaram atrás dela. Ele aproximou-se mais, encostando-se nela, fazendo-a sentir o quanto o agradava.
Demi  observou  o  sol,  uma  bola  incandescente  aos  poucos  baixando  no

firmamento. Estremeceu em antecipação ao que estava para vir.
Joe levantou a parte de trás de seu vestido e afastou a calcinha para o lado, enlaçando-a.

—  Você  alguma  vez  viu  um  pôr-do-sol  mais  bonito?  —  perguntou  ele, penetrando-a.

Demi engoliu em seco.

— Nunca. — De fato foi espetacular.

Agarrando-se aos quadris dele, Demi inclinou-se para a frente, para que Joe mergulhasse mais fundo dentro dela. Joe avançava, cada vez mais, enquanto Demi apertava-o firme, dizendo coisas com o corpo que jamais se atreveria a verbalizar.
Concentrou-se no astro-rei até que bola de fogo explodisse em um estonteante leque de cores, antes de desaparecer nas profundezas do horizonte.

— Isso não foi nada... — As palavras lhe faltavam. Com os joelhos bambos, Demi ajeitou o vestido.

Na praia, a uns poucos metros, um casal surgiu caminhando.

—... nada decente — Joe terminou por ela, mordiscando sua nuca, fazendo-a se arrepiar. — Mas absolutamente incrível.

(...)

Martin os recebeu à porta.

— Por aqui, por favor. Esta noite nós temos um lugar especial para vocês, com uma vista deslumbrante da praia.

Martin os levou a uma mesa que dava de frente para mar, onde alguns vasos com folhagens viçosas forneciam a intimidade e a privacidade que eles desejavam.

— A mesa está de seu agrado, Joe? — Martin quis saber.

O fogo da vela acesa tremulava na brisa que roçava em nos braços nus e no pescoço de Demi. A louça de porcelana e os talheres de prata cintilavam contra a toalha de linho. Além do terraço, o crepúsculo transformava o oceano em turquesa líquida.

— Sim, Martin. Está perfeita.

Com um leve floreio, o garçom puxou a cadeira para que Demi sentasse.

— Que bom que gostou...

Ela se acomodou no assento almofadado. Joe sentou-se na cadeira ao lado, tomou-lhe a mão, entrelaçando os dedos nos dela. Seu coração bateu mais rápido.

— Aceitam uma taça de champanhe, para começar?

Os  olhos  de  Joe  prenderam  os  dela,  lembranças  da  intimidade  que partilhavam unindo-os. Demi umedeceu os lábios de repente secos.

— Sim, obrigada, Martin.

Será que não era mais capaz de dizer nada além de aquiescer? Mas o que havia para objetar? A vista espetacular? O champanhe? Joe lhe oferecendo tudo o que sabia que a agradaria?
Quanto  mais  Demi  fazia  força  para  não  pensar  do  amanhã,  mais  ele  se intrometia. Ela e Joe precisariam de algumas normas quando voltassem a Nashville, e seria melhor que não tocassem no assunto Jamaica, e que deixassem a coisa toda se desvanecer, como se tivesse sido um sonho. Talvez aquele momento fosse o ideal para conversar com ele a esse respeito.

— Joe, eu...

— Demi...

— Diga você. — Achou melhor deixá-lo falar primeiro.

— Precisamos conversar.

— Está bem. Prossiga.

— Temos de falar sobre nós dois.

Demi quase caiu da cadeira.

— Estava pensando nisso...

Como regra, os homens nunca se sentiam impelidos a falar. E Joe não era uma exceção.
Ele passou a mão nos cabelos. Costumava fazer isso quando estava nervoso. Por que estaria tenso?
Martin chegou com o champanhe. Joe sorriu e ajeitou a gravata.
O garçom se afastou.

— Não achei que seria tão difícil...

— Pelo amor de Deus, Joe, fale de uma vez, ou então eu falarei. — Havia uma ponta de desespero na voz dela. Seria tão difícil dizer que eles precisavam terminar?

Joe arqueou uma sobrancelha.

— Será que estamos querendo dizer a mesma coisa?

— Somos amigos há muitos anos, e não há necessidade de rodeios. Fale.

Joe pareceu surpreso e aliviado.

— Muito bem. Quando você quer se casar?

— Viu? Não foi tão difícil... — Demi gelou ao assimilar o que ouviu, e que não era o que antecipara. Podia jurar que ele dissera “casar”. Mas não pode ser. — Você disse “casar”?

— Sim. Isso mesmo

O estômago de Demi deu voltas. Não podia ser. Duas semanas atrás ele mal conseguia pronunciar aquela palavra.

— E com quem pretende se casar?

Ele deu risada.

— Não seja tola, Demi. Quero me casar com você.

— Nós dois?

— Eu e você. Nós dois.

Demi conteve sua crescente histeria. Joe Jonas lhe propondo casamento... “Meu Deus!” Um flerte durante as férias era uma coisa, casamento era outra, bem diferente.

— Por que está  me propondo isso? — Sem  esperar pela resposta, Demi apanhou a taça e tomou um longo gole de champanhe.

— Ei, nós devíamos comemorar, mas apenas após você ter dito “sim”.

— Desculpe-me, mas eu precisava de uma bebida. — E tornou a levar à taça aos lábios. Só a depositou de volta ao tampo quando ficou vazia.

— Achei que você fosse ficar eufórica.

— Estou sem fala.

— Eu notei.

— Por que iríamos querer nos casar um com o outro? — Demi tentava manter uma entonação neutra, como se estivessem discutindo o clima, e não o futuro enlace deles.

O natural bom-humor de Joe deu lugar à frustração.

— Você vive dizendo que quer se casar.

— Sim, eu sei. E você se lembra da outra parte? Ter minha própria família?

— Está bem. Em dois anos, começaremos a nos empenhar nela.

Demi tentou ver algum sentido na incompreensível proposta de Joe e em sua boa vontade quanto a iniciar uma família.

— Por que, Joe?

— Droga, Demi! É só isso que tem para dizer? Porque você quer, é óbvio.

— Mas não podemos nos casar e ter filhos só porque eu quero isso. — Não podia permitir a si mesma cair na tentação de imaginar um futuro com ele. Serviu-se de mais uma taça.

— Agora é você que não está sendo sensata. O que impede dois amigos de se casarem um com o outro?

— Esqueça isso. Quero saber por que devemos nos casar.

— Raciocine,  Demi.  Nós nos gostamos,  nos  damos  bem...  —  Joe  se aproximou mais. -— E o sexo que fazemos é fenomenal.

Até mesmo no meio do rompimento, ele a reduzia à vela derretida com um simples olhar.

— Não se pode casar com uma pessoa só porque o sexo é fenomenal.

— E o que acontecerá entre nós, Demi? Pare e pense nisso. Seu próximo namorado poderá não ser tão tolerante quanto a nossa amizade, sobretudo após esta semana. Confesso que, no lugar dele, eu não seria.

— Então quer se casar comigo por achar que meu próximo namorado, ou até meu marido, fará objeção a nossa amizade porque já fomos amantes?

— Evidente. Você é muito importante para mim.

Em nenhum lugar ao longo do caminho ele mencionou amor ou o fato de estar apaixonado.

— Ah, sei... Está tentando proteger seus interesses. Falando assim, isso soa...

— Absurdo? Egoísta?

— Eu não colocaria desse modo.

— Não? Então como colocaria?

— Sei lá! Você costuma ser tão racional...

— Está tentando dizer que não estou sendo razoável? Talvez tenha ficado um pouco alta devido às duas taças de champanhe que ingeri de estômago vazio, mas irracional, não.

O que era irracional era a idéia de eles dois se casando.

— Não coloque palavras em minha boca.

— Não estou fazendo isso. Você está fazendo um bom trabalho, sem precisar de ajuda.

— Demi, admita que é um bom plano. Nós entendemos um ao outro, gostamos um do outro. Por que não funcionaria?

— Será que faz alguma idéia do quanto sua amizade significa para mim, Joe? Sabe o quanto é importante? — As lágrimas ardiam em seus olhos, O desespero, a confusão e a frustração a transtornavam. Mordeu o lábio. Não podia chorar.

— Mais razões para nos casarmos.

— Mais razões para não fazermos isso. Um mau casamento nos destruiria, e você é querido demais para que eu permita que corramos o risco.

Sua ligação com Joe foi a única que Demi aceitou após ter sido abandonada pelos pais. Por várias vezes, pensou que seria mais fácil se eles tivessem morrido em vez  de  tê-la  abandonado.  Então,  todas  as  suas  esperanças  morreriam  com  eles.
Imaginar-se perdendo Joe, porém, era intolerável.

— Por que está assumindo que o nosso seria um mau casamento?
— Casamento  é  um  compromisso  para  uma  vida  inteira.  Você  mesmo confessou que gosta de mudar de canais. Não ficarei sentada esperando que os mude, Joe.

— Isso não é justo. Agora é diferente. Somos amigos há quanto tempo? Você não considera isso um compromisso para sempre?

— Amizade é uma coisa, casamento é outra.

Demi não queria magoá-lo, mas sempre foram honestos um com o outro. Ela se sentia presa em uma armadilha, sufocada, e não suportaria ficar àquela mesa nem mais um segundo.


— Você é o melhor amigo que já tive, Joe. E jamais terei outro tão bom. — Demi arrastou a cadeira para trás e se levantou. — No entanto, é o último homem com quem eu me casaria.

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Comentem, bbês... Amo vcs szsz

Capítulo programado.