30.12.14

Remember Me - Capítulo 15 MARATONA 1/4

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Com uma sensação de déjà vu, Betty Jonas atravessou na ponta dos pés o hall da casa que havia sido sua, entreabriu com cuidado a porta do quarto e olhou a nora, como tinha feito tantas vezes com Joseph. Seu coração confrangeu-se diante da inocência que transparecia no sono de Demetria, com os cabelos negros espalhados sobre o travesseiro e as cobertas puxadas até o pescoço. Sorriu consigo mesma enquanto se voltava e tornava a atravessar o hall. Até que enfim Demetria estava descansando um pouco.
Seu marido,Winston,veio da cozinha segurando duas canecas de café e deu-lhe uma.
— Como está ela? — perguntou.
— Ainda dormindo, o que nas suas condições provavelmente é o melhor.
Winston franziu as sobrancelhas, foi atrás da esposa para a sala de estar e sentou-se ao lado dela no sofá. Houve um momento de silêncio, durante o qual ele assoprava a superfície do café muito quente e ela pegava uma revista.
— Mas que confusão, essa, não?
Betty ergueu os olhos.
— Confusão é pouco! Estou tão preocupada com a segurança das crianças! Quase não durmo à noite.
O sr.Jonas sorriu, depois afastou uma mecha de cabelos que caíra sobre o rosto da esposa.
— Eles não são mais crianças, meu bem.
— Eu sei — suspirou ela –, mas você sabe o que quero dizer. Nossos filhos serão sempre crianças, não importa a idade que tenham.
— Quando Joseph disse que voltaria? — perguntou Winston.
— No meio da tarde. Queria esperar que os homens começassem a trabalhar e conversar com o mestre de obras. Eles acham que podem aplicar material isolante e começar a construir o anexo.
Ele aprovou com a cabeça e tomou um gole de café.
— Pegar o contrato para construir a nova ala do hospital é ótimo para a empresa.
Betty sorriu.
— Nosso menino está indo bem, não? — Pôs a mão no joelho do marido e apertou-o de leve. — Mas é que teve o melhor treinamento desde o começo.
Winston deu um amplo sorriso, tão parecido com o do filho que por um momento pareceu a Betty que Joseph estava a sua frente.
— Vamos conseguir superar isto, não é, Winston?
Era evidente a ansiedade na voz dela. Ele colocou a caneca na mesinha, passou um braço pelos ombros de Betty e apertou-a contra si, reconfortante.
— Claro que sim, meu bem. A memória de Demetria está melhorando a cada dia que passa e quanto mais ela lembrar, mais chances teremos. Ainda bem que já conhecemos a cara do inimigo.
Com um estremecimento, a senhora apoiou a cabeça no ombro do marido.
— Não vou sossegar enquanto aquele homem horrível não estiver atrás das grades.
Ele apertou-a de novo.
— A polícia esta cuidando do caso. É apenas uma questão de tempo.
Fez-se silêncio. Betty abriu a revista e Winston voltou ao café. Lá fora, uma viatura da polícia passou lentamente diante da casa. Não era a primeira vez que isso acontecia e não seria a última, até que a situação estivesse resolvida.
Cerca de meia hora mais tarde, Betty ouviu a nora mexer-se no quarto.
— Parece que Demi acordou, Winston. Vou ver como está. Talvez ela queira um prato de sopa quente ou um chocolate.
Ergueu-se, apressada, e foi para o quarto.
— Olá, querida. Como está se sentindo?
Demetria saia do banheiro.
— Melhor, eu acho.
— Quer comer alguma coisa? Talvez uma sopa ou…
À simples menção de comida, Demetria empalideceu, gemeu e virou-se rapidamente, tornando a entrar no banheiro. Outro acesso de náusea .
Betty seguiu-a, momentos depois, e tratou de banhar-lhe o rosto e as mãos com uma toalha molhada, como se fosse uma criança.
— Pobrezinha! — condoeu-se. — Desculpe. Eu não devia mencionar c-o-m-i-d-a.
Demi conseguiu sorrir de leve.
— Parece que ouvir a palavra soletrada não me causa enjôo…
A sogra riu carinhosa.
— O enjôo é uma coisa horrorosa. Quando eu estava grávida de Joseph enjoei todas as manhãs, durante uns três meses.
Foi para a pia torcer e molhar de novo a toalha em água fria, por isso não viu a expressão de choque que se estampou no rosto da nora. Mas quando a ouviu gemer, virou-se rápida, temendo que ela houvesse piorado.
— O que foi, querida? Está enjoada de novo?
Incapaz de falar, Demetria segurou a mão da sogra, que foi contagiada pelo medo que ela sentia.
— Fale comigo, Demetria! O que foi? Como posso ajudar?
Demetria começou a tremer incontrolavelmente.
— Minha menstruação… Não me lembro quando foi a última.
Um sorriso compreensivo suavizou as feições de Betty e seu olhar desceu automaticamente para o ventre liso e chato.
— Oh, querida, seria maravilhoso — disse, com voz suave.
Mas na mente de Demi, nesse momento, uma outra imagem superpunha-se à sua lembrança de estar fazendo amor com Joseph. Nessa imagem estava sob o peso do corpo de Pharaoh e ele pesava tanto que lhe era difícil respirar.
— Oh, Betty, você não entende. Todo esse tempo que fiquei fora de casa… E se… Como vou saber se…
De repente a sra.Jonas entendeu. Sentou-se ao lado da nora na beira da banheira e tomou-a nos braços.
— Demetria… meu bem…
Demetria não conseguia parar de tremer.
— Oh, meu Deus! Oh, meu Deus… Se estou com um filho no ventre ele poderá não ser de Joseph!
— Pare com isso! Pare com isso agora mesmo! — ordenou a sogra em voz baixa, porém cortante. — Seja como for, será seu filho. — Ergueu-se, levando Demi com ela, e envolveu-lhe o rosto com as duas mãos. — E se meu filho for metade do homem que eu penso que é, tudo estará bem. Ele a ama, Demetria, mais do que a própria vida. Quando você desapareceu, pensei que Joseph fosse enlouquecer. As incontáveis idas dele a morgues do país inteiro, temendo descobrir que o cadáver que o chamavam para identificar pudesse ser o seu… e ao mesmo tempo temendo que não fosse porque tinha horror só de pensar que você poderia estar viva e sofrendo! A perseguição da imprensa, o temor de ser preso por um crime que não havia cometido…
Lágrimas subiram aos olhos de Demetria e desceram-lhe pelas faces, enquanto Betty continuava a falar.
— Você entende isso? Era não saber o que havia acontecido com você que o consumia vivo. Se estiver grávida… e se o filho não for de Joseph… ainda assim será parte de você. — Pegou os lenços de papel e deu-os a Demi. — Pegue, enxugue as lágrimas e limpe o nariz. Talvez nem sequer haja motivo para chorar. Vamos ter certeza antes de definir a necessidade de se autodestruir.
Demi tentou sorrir entre as lágrimas.
— Não quero me destruir — garantiu. — Lutei duro e por muito tempo para voltar para casa e não iria desistir de mim mesma agora.
— Ótimo — aprovou a sogra. — É assim que gosto de ouvi-la falar. O que acha de se vestir?
Ela fez que sim.
— Está bem, então, Demi. Enquanto você se veste vou fazer chá e torradas. Confie em mim, seja qual for o motivo desse mal-estar, isso vai acalmar seu estômago. Vou pedir a Winston que vá até a farmácia e compre um kit de gravidez. Dentro de uma hora saberemos se você está grávida ou não.
— Oh, mas… — começou Demetria.
Betty sacudiu a cabeça, enérgica.
— Nada de ¨mas¨, meu bem. Para começar, se estiver mesmo grávida, daqui a pouco tempo todo mundo vai saber. É melhor sabermos agora e tomarmos providências para cuidarmos desse enjôo.
Os lábios de Demi tremiam.
— Meu Deus, Betty, e se for verdade? Como vou contar a Joseph?
A sra.Jonas hesitou, dividida entre o desamparo da nora e o que sabia que seria melhor para seu filho.
— Querida, por que não faz o teste primeiro? Se for negativo, você não terá com o que se preocupar. Se for positivo, nós veremos o que fazer. O que acha?
O impulso de Demi era argumentar, porém quanto mais pensava mais achava que Betty tinha razão.
— É, você está certa… Não há por que aborrecer Joseph com algo que pode não ser verdade.
— Você não o aborrece, você é o amor dele, meu bem…
Apesar do que dizia, Betty sentia que no intimo estava prestes a entrar em pânico. E se estivesse errada sobre a reação do filho? E se estivesse erguendo o animo de Demi para depois Joseph o deixar cair?
— Vista-se e vou mandar Winston à farmácia. Vai ser difícil para ele, que nunca deu à caixa nada mais do que um tubo de pasta dental para cobrar… — Betty riu. — Eu queria ser uma mosca para estar lá e ver a cara dele ao pegar o teste de gravidez na gôndola e, depois, entregá-lo no caixa..
A idéia afligiu Demi.
— Eu não tinha pensado nisso! Será que não é melhor…
— Você apenas se vista. — ordenou Betty, em tom brincalhão. — Winston vai sobreviver e quem sabe a idéia de ter um neto o ajude.
Depois de dar-lhe um rápido beijo no rosto, Betty saiu do banheiro. Demi foi para o quarto e sentou-se na beira da cama. O futuro estava lançado. Nada mais lhe restava do que esperar pelo que estava por vir.



— Ei, Dawson. Há um recado na sua mesa.
Avery acenou um agradecimento para o policial de pé junto ao arquivo e foi para o seu lugar, com o parceiro bem atrás dele. Feliz por estar de volta à delegacia e longe de frio, ele sentou-se na cadeira estofada com um som abafado. Mas sua expressão de contentamento começou a mudar ao ler o recado.
— Você não está com uma cara muito feliz — observou Ramsey, pendurando o capote no cabide.
— A van que está em frente à casa da sra.Rafferty é de Carla Brewer, de Escondido, Califórnia. Ela deu parte do roubo há uma semana.
— Lá vem encrenca — resmungou Ramsey. — O que vai fazer a respeito?
Dawson ergue a cabeça.
— Isso quer dizer que o homem que mora no apartamento em frente à casa de Demetria Jonas é um ladrão de carros, porém ainda não há evidências de que seja um espião, nem que o ligue de qualquer maneira com o prévio desaparecimento dela.
— Conseguiu alguma coisa com o nome que a sra.Rafferty nos deu?
— Não. Há centenas de Peter Ross no sistema e, considerando o fato que ele estava dirigindo um veículo roubado, sinceramente duvido que tenha dado seu verdadeiro nome.
— O que acha de trazermos a sra.Rafferty aqui para dar uma espiada em nossas coleções de fotos? — sugeriu Ramsey.
— Talvez seja bom, pois não temos outra coisa a fazer.
Quando o parceiro já estava se acomodando na mesa dele. Dawson acrescentou:
— É bom também notificar o Departamento de Polícia de Escondido que encontramos a van roubada. Faça isso, enquanto vou falar com o capitão.

Demi andava do sofá para a janela e da janela para o sofá, sem parar, esperando que Winston voltasse da farmácia.
— Meu bem, sente-se um pouco — disse Betty. — Relaxe. Talvez você esteja se preocupando à toa. Talvez o enjôo seja devido a um começo de gripe.
— Não parece um começo de gripe — discordou Demi.
Betty suspirou e voltou ao seu crochê. Antes de fazer nove anos já aprendera a fazer renda com a avó e adquirira muita pratica em todos aqueles anos. Esticou o trecho de renda para inspecioná-lo e achou que ficaria perfeita numa veste de batizado.
— Está chegando uma viatura policial — observou Demi.
— Eles estão passando de um lado para o outro, aqui em frente, desde que os investigadores foram embora.
Demetria olhou a paisagem pacifica e agradável, com as decorações de Natal adornando pórticos e árvores, crianças brincando com a neve na calçada. Antes era um quadro tão perfeito, tão seguro. Agora tudo parecia feio e ameaçador, por causa dela. Retirou-se da janela, sentindo uma raiva súbita.
— Por que você não me odeia?
Perplexa com a pergunta, Betty largou o crochê no colo e ergueu o rosto.
— Por que eu deveria odiá-la, minha querida?
— Veja o que estou fazendo com seu filho… e também com você e Winston. Sinto-me suja e assustada, como alguma criança que sabe que lhe fizeram alguma coisa má, porém não entende o quê.
— Isso é absurdo — murmurou Betty.
Bateu com a mão no assento do sofá a seu lado e Demi sacudiu a cabeça.
— Não posso me sentar.
Foi de novo até a janela e quando olhou para fora teve um sobressalto.
— Meu Deus, Joseph chegou!
Betty jogou o crochê no sofá e saltou em pé, no entanto não foi rápida o suficiente para impedir que Demi saísse correndo. Com o coração apertado, da porta da sala, viu a nora desaparecer no quarto e, segundos depois, a porta da rua abriu-se e seu filho entrou.
— Olá, mamãe! Onde está seu carro? — perguntou ele.
— Seu pai foi fazer uma compra e já deve estar voltando.
Joseph assentiu, pendurando o capote no cabide e foi beijar a mãe na face.
— Como está, Demi?
A senhora mordeu os lábios e conseguiu forçar um sorriso.
— Por que não vai perguntar a ela?
Ele olhou para a mãe com atenção. Havia algo no tom dela que não o agradava.
— O que há de errado?
— Do meu ponto de vista, absolutamente nada — garantiu a senhora. — Mas vá falar com sua mulher. Eu já fiz tudo que podia.
Saindo da sala e atravessando o hall com passos largos, Joseph perguntava-se o que mais poderia ter acontecido enquanto estava ausente. Segundos depois, entrou no quarto e encontrou Demetria de pé à janela., de costas para a porta. Sabia que ela o ouvira chegar, porém não se moveu e nem demonstrou saber de sua presença. Ficou tenso.
— Demetria…
Ela voltou-se e a expressão de seus olhos o angustiou.
— Meu anjo, o que está acontecendo? Está se sentindo pior? Quer que a leve ao médico?
O queixo dela tremeu quandod eu um passo para ele.
— Oh, Joseph, eu…
Ele atravessou o quarto e pegou-a pelas mãos.
— Venha cá. — Sentou-se na cama e a fez sentar-se ao seu lado. — Gosto de tocar você enquanto conversamos.
O rosto dela contraiu-se.
— Preciso perguntar-lhe uma coisa.
O impulso dele foi tomá-la nos braços, expulsar com beijos todas as coisas ruins de sua vida, porém sabia que ela precisava de espaço. Ficou apenas segurando-lhe as mãos.
— Você sabe que pode me perguntar qualquer coisa e que tudo continuará bem, Demi.
Ela sentiu a boca seca, as palmas das mãos suadas. Havia um nó doloroso na boca do seu estômago, como costumava acontecer no orfanato na véspera do dia da visita; aquele nó que a impedia de dormir a noite inteira, sabendo que ninguém iria querê-la como sua filhinha.
— Pode ser que eu esteja complicando tudo sem motivo… — começou.
— Verificaremos isso juntos — respondeu ele, e acariciou-lhe de leve os cabelos.
Demi tentou sorrir, mas não conseguiu. Em vez de sorriso, a contração dos lábios provocou uma expressão que prometia lágrimas. Mas já começara e não ia parar.
— Agora há pouco a sua mãe fez um comentário que me deixou pensando…
— O que ela disse?
A rispidez do tom de voz dele advertiu Demetria que lhe dera uma impressão errada.
— Não, não, Joseph, não é nada de ruim. Na verdade, ela estava tentando me acalmar porque eu havia vomitado. Disse que sabia como eu me sentia porque passava por isso todas as manhãs quando ficou grávida de você.
— E? — indagou ele.
Respirando fundo, a esposa fitou-o direto nos olhos.
— E eu não consigo me lembrar de quando foi a ultima vez que fiquei menstruada.
Um leve sorriso começou a clarear o rosto de Joseph e Demi emitiu um lamento. Tinha que dizer tudo antes que ele começasse a querer distribuir charutos para os amigos.
— Mas lembro-me de estar olhando o rosto de Pharaoh e sentindo-o deitado em cima de mim…
Um urro abafado escapou dos lábios de Joseph, como se tivesse levado um violento soco no estômago. Por uma fração de segundo ela viu medo e
incerteza nos olhos dele, o que a fez sentir-se de novo rejeitada. Contudo, ele se inclinou para a frente até que seus lábios se tocaram. Demetria não se mexeu. O marido segurou-lhe a cabeça com as duas mãos e beijou-a, provando o gosto do medo nos lábios dela, depois recuou.
— Demetria…
— O quê?
— Olhe para mim.
Nos enormes olhos dela havia uma pergunta muda, porém clamorosa.
— Lembra-se do nosso acordo?
Ela piscou. Aquela não era a reposta que imaginara.
— Que acordo?
— Que eu vou escolher o nome do nosso primeiro filho?
Demi tentou falar, porém não conseguiu.
Nosso! Ele disse ´´ nosso `` filho!
— Lembra-se? — insistiu Joseph.
Lágrimas brilharam nos olhos dela.
— Lembro…
— Então, se você estiver grávida, vou começar a fazer uma lista, porque nosso filho tem que ter um nome bom e bonito.
Demetria passou os braços no pescoço do marido e chorou.
— Estou tão assustada! Desde o dia em que o conheci eu imaginei dar-lhe filhos, mas agora… Oh, meu Deus! Oh, Joseph! Se ele não for…
Ele a beijou com ardor, engolindo o horror das palavras não ditas. Sua respiração estava rápida e entrecortada; suas emoções desencontravam-se. Queria rir e, santo Deus, precisava chorar. Controlando-se a custo, fez à esposa a promessa que tinha certeza que cumpriria.
— Juro a você, diante de Deus, que vou amar essa criança o quanto a amo.
Antes que pudesse dar voz a qualquer outro medo, Demi ouviu um carro parar na lateral da casa deles.
Ergueu-se e correu para a janela.
— É Winston — disse ao marido. — Voltou da farmácia…
Antes que Joseph pudesse detê-la, saiu correndo para o hall. Curioso para saber o que seu pai trazia de tão importante, ele segui-a.
— Trouxe? — perguntou ela assim que o sogro entrou.
Ele revirou os olhos e entregou-lhe uma sacola de plástico com o kit.
— Trouxe, sim — resmungou. — Aquela tonta da menina do caixa olhou a embalagem dessa… dessa `` coisa ``, depois para meus cabelos grisalhos e rugas, então riu. Como se não bastasse, me deu uma piscadela.
A tensão do momento foi quebrada pela gargalhada de Betty; nesse momento Joseph entrava no hall e ficou ainda mais confuso.
— O que é tão engraçado? — perguntou.
Betty não conseguia falar, mas apontou para o marido e riu mais ainda, a ponto de lágrimas descerem-lhe pelo rosto.
Apesar do nervosismo, a imagem de Winston atrapalhado na farmácia a fez Demi sorrir.
— Muito obrigada — disse e beijou-o na face.
— Vamos pessoal! — interferiu Joseph. — Contem –me a piada para eu rir também.
Demi ergueu a sacola.
— Sua mãe mandou Winston comprar um kit de teste de gravidez.
A visão da sacola branca, opaca, foi como um pontapé no estômago de Joseph. Dentro dela estava a resposta que iria transformar a vida deles. Assim mesmo, conhecendo o pai como conhecia, pôde apreciar o que significava ele ter ido à farmácia fazer aquela compra.
Um sorriso ergueu os cantos de sua boca.
— Então, papai, quer dizer que anda se exibindo por aí?
Winston deu ao filho um olhar ¨vá-para-o-inferno¨, ao mesmo tempo que sua mulher tinha um novo ataque de riso. Ele fuzilou Betty com o olhar, depois deu um rápido beijo na nora.
— Vou tirar essa mulher escandalosa daqui o quanto antes. — Sorriu. — Está tão frio e eu já estou tão velho que acho que tenho que me conformar em continuar com a Betty!
Winston apertou-lhe o ombro.
— Dê um telefonema para nós mais tarde… de um jeito ou de outro.
Ela fez que sim.

No outro lado da cidade, Avery Dawson colocou mais um álbum de fotografias diante da sra.Rafferty e abriu-o.
— Minha senhora, agradecemos muito a ajuda que nos está tentando dar.
A idosa senhora suspirou.
— Este é o sétimo álbum, eu acho.
Dawson preocupou-se. Ela já vira alguns álbuns e havia muitos outros a ver.
— É, sim, senhora.
A sra.Rafferty suspirou de novo.
-Bom, acho que poderei ver mais uns dois.
Começou a olhar as fotos e a virar as páginas. De repente, apontou para um afoto.
— Oh, veja!
O policial saltou em pé.
— É ele? É o homem que alugou seu apartamento?
— Oh, não — negou ela — Parece com meu pai quando era jovem. Não é incrível? Eu ouvi dizer que todos no mundo têm seu sósia. Que horro! Meu pai teria um enfate se soubesse que existe um criminoso com o rosto dele.
Deixando-se cair de novo em sua cadeira, o policial engoliu uma praga.
— Sim, senhora, aposto que teria. Agora, se não se importa, continue olhando. É muito importante, precisamos falar com seu inquilino.
Ela anuiu e voltou ao trabalho, sem ver que Ramsey ria e Dawson revirava os olhos.
Algum tempo depois ela terminou aquele álbum e começou o numero oito quando apontou outra foto.
— Oh! Este! — gritou.
— O que tem esse?
O investigador fez a indagação distraído, esperando que ela dissesse que aquele homem se parecia com seu amado, falecido esposo, Edward, a respeito de quem já falara muito.
— É o homem! Foi esse homem que alugou meu apartamento!
De pé mais do que depressa, Dawson foi olhar por cima do ombro dela.
— Tem certeza? — perguntou.
— Tenho, sim — garantiu a sra. Rafferty. — Jamais esqueço de um rosto. Aliás, está vendo que uma sobrancelha é mais alta que a aoutra? Claro, eu não disse nada a ele, mas isso lhe dá uma expressãod e apalermado.
Animado, Dawson leu o nome sob a foto.
— Simon Law. — Olhou para o pareceiro. — Mande levantar a ficha deste homem e veremos o que se descobre. — Voltou-se para ela. — Não imagina a enorme ajuda que nos deu! O polcial Adler, aqui, irá levá-la até lá embaixo.
— Será que alguém pode chamar um táxi para mim?
— Não é preciso. Um polcial levará a senhora numa viatura.
A simpática senhora ficou toda animada.
— Oh! Um carro da policia de verdade! Eu queria que meu Edward fosse vivo para ver isso! — Riu com gosto. — Papai sempre dizia que eu ainda seria carregada nos braços da lei.
Dawson acompanhou-a na risada. Depois do dia pesado que havia tido, a sra. Rafferty era um refrigério para a sua alma. Ajudou-a a levantar-se e apertou-lhe a mão.
— Seja bondosa com os nossos rapazes. Anna Rafferty, ou eu mesmo a prenderei. E não se preocupe com Law. Dois homens vão ser encarregados de vigiar sua casa. Assim que ele aparecer será preso.
A senhora ainda sorria quando saiu da sala.
O policial foi pegar um copo de café. Não almoçara e seu estômago estava reclamando, porém teria que se contentar com mais uma dose de cafeína.

Joseph estava sentado na cama, encostado na cabeceira. Acomodada entre suas pernas, o dorso de Demi apoiava-se no peito dele, e a cabeça, no ombro. Os braços fortes rodeavam-na e a respiração do marido aquecia-lhe o pescoço. As batidas do seu coração faziam-se sentir nas costas dela e o único movimento no quarto era o mudar de minutos do relógio digital sobre o criado-mudo.
A tira de papel do teste de gravidez caseiro achava-se na mão dela e Demi sentia-se como se estivesse segurando uma bomba preste a explodir.
— Ainda não passou o tempo? — perguntou, nervosa.
— Não, falta um minuto. Mas não fique assim, Demi. Seja qual for o resultado, vaid ar tudo certo.
— Eu sei — murmurou ela.
E os dois esperaram.
Mesmo olhando para o relógio e vendo o passar daquele último minuto, ela quase saltou quando a voz de Joseph soou ao seu ouvido.
— Está na hora.
Demetria imobilizou-se, com medo de olhar a tira de papel, então sentiu a mão do marido acariciar-lhe o ventre.
— Eu a amo, Demetria.
A visão dela nublou-se. Ergueu a tira de papel e fitou-a, mas as lágrimas não lhe permitiam ver se mudara de cor. Então, ouviu Joseph soltar a respiração que estava contendo e soube que o resultado era positivo. Era o mais maravilhoso e ao mesmo tempo o mais terrível momento da sua vida. Ia ter um filho. Mas… de quem?
E, graças a Deus, foi Joseph que lhe deu forças mais uma vez.
— Vamos telefonar para meus pais, Demetria. Há anos eles vêm sonhando ser avós. Vão ficar no céu.
Demi separou os braços dele e voltou-se para olhá-lo de frente.
— E você, Joseph? — perguntou, tensa. — Onde isto o coloca?
Ele sorriu e sacudiu a cabeça, como se não acreditasse no que ela estava perguntando.
— Coloca-me mais e de tal maneira em sua vida que você ainda vai se perguntar onde está o espaço que lhe pertence — riu ele — Eu vou ser pai! Depois de contarmos aos meus pais vamos comemorar.
A dor de cabeça de Demi diminuiu, não muito, mas o bastante para que soubesse que eles iam conseguir ultrapassar aquilo também.
— Não tenho medo de sair com essa neve toda — observou.
— Então, vamos pedir alguma coisa. Você escolhe, eu telefono.
Ela ficou indecisa. A idéia de comer naquele momento parecia-lhe a mais importante do dia.
— Acho que comida chinesa… ou você prefere pizza?
— O que você preferir.
Joseph a fez deitar-se de costas e escondeu o rosto na curva do seu pescoço. O aperto no peito dela suavizou-se mais um pouco. Abraçou o marido.
— Você está com sorte. — murmurou-lhe ao ouvido. — Esta noite eu sou o prato especial da casa.
— Oh, não, Demetria — sorriu ele — Você é sempre o prato especial da casa e jamais me cansarei dele. Nunca.
Ele movimentou a mão, enfiando-a por baixo das roupas de Demi, até que tocou diretamente o ventre macio.
— Ei, você aí! Cresça forte e saudável, bebezinho. Quando você estiver pronto estaremos à sua espera.
Quando ergueu a cabeça, viu lágrimas nos olhos dela.
— Eu o amo, Joseph Jonas — disse Demetria com a voz embargada.
Ele riu.
— Eu sei.
Ela deu-lhe um beliscão leve no braço.
— Você deveria responder ¨Eu também a amo!¨
Joseph riu mais ainda.
— Isso seria muito comum, meu anjo.
Por fim ela riu também.
— E Deus sabe que nossa vida pode ter de tudo, menos coisas comuns, não é?
— Meu pais sempre diz que quando uma mulher sabe que o marido vai dizer ou fazer, o pobre pato está perdido.
— Então… meu querido pato — ameaçou ela, rindo — , prepare-se para ser assado e comido porque eu sei que nos próximos oito meses, mais ou menos, você vai fazer tudo o que eu quiser!
— Por que apenas por oito meses? — indagou Joseph, tirando o suéter dela. — Que tal fazer essa mesma previsão para o resto de nossas vidas?
Uma intensa felicidade a envolveu quando o marido tomou-a nos braços.

— Para o resto das nossas vidas? Com o maior prazer…

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Sim, ela está grávida, haha' Maratona começando... Capítulos postados de 1 em uma hora a partir de agr! 19:20 tem mais, hehe' Comentem! Até mais, beijos ♥
Amo vcs!
Bruna

2 comentários:

  1. EITA PORRA, TÔ SOLTANDO FOGOS AQUI! VOU PRA IGREJA, MAS VOU VOLTAR CORRENDO SÓ PRA LER O PRÓXIMO... MEU DEUS *O*
    TÁ PERFEITO ❤

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  2. Ahaiha so consegui comentar agr ahjsjs ameiii

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