30.12.14

Remember Me - Capítulo 17 (Último) MARATONA 3/4

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Joseph abriu os olhos e viu-se fitando diretamente o céu. Havia um ardor em suas costas que o frio da neve não suavizava. Esforçou-se por lembrar-se por que estava ferido.
A lembrança veio, com o impacto de um soco no plexo solar. Não tinha como saber por quanto tempo permanecera ali caído e a última coisa que se lembrava era de ter visto o rosto de Pharaoh Carn e gritado por Demetria. Será que ela ouvira? Será que tinha conseguido fugir? Ou, santo Deus, será que ele a pegara? Será que a tinha levado embora outra vez?
Um gemido de dor passou por entre seus lábios apertados quando virou de lado e colocou-se de quatro, sobre os joelhos e as mãos. Foi só então que olhou para o lugar onde ficara estendido e viu todo aquele sangue.
Foi quando compreendeu que havia levado um tiro. O pensamento de Demetria e o filho deles nas mãos de um homem como Pharaoh Carn foi o bastante para provocar uma violenta náusea que lhe apertou a garganta.
Deus… me ajude! Cerrando os dentes, apoiou-se no poste da cerca e ergueu-se.
Demi deslizou silenciosamente pelo hall, encostada à parede. Suas mãos estavam firmes, e a visão clara. Todas as horas que passara treinando tiro-ao-alvo agora lhe serviam muito. Respire fundo. Expire. Não entre em pânico. Não aperte o gatilho.
Nem por um momento pensou que não seria capaz de atirar. Sentira o soco da arma vezes demais para hesitar. Jamais hesitaria com Joseph caído na neve, a poucos metros daquelas paredes.
O som abafado e urgente das vozes dos homens vinha de algum lugar à esquerda dela. Estavam na lavanderia. Era evidente que tinham também ouvido a máquina de lavar roupa começar a funcionar e haviam deduzido que ela estava lá.
Parou, com o coração disparado. De súbito, sentiu um gosto metálico na boca. Medo.
Sua decisão fortaleceu-se mais. Não iria deixar-se apanhar de novo, de jeito nenhum. O menino que um dia fora seu amigo se havia transformado num demônio.
Então, ouviu uma suave risada e seu coração encolheu-se. Aquele som trouxe uma onde de lembranças da infância misturadas com as de dois anos de inferno.
Lembrança de uns olhos negros e um rosto sorridente.
De mãos gentis trançando seus cabelos.
Das mesmas mãos amarrando os cordãos dos seus sapatos e erguendo-a no alto, muito alto, no pátio do orfanato.
De abraços, brinquedos e pedaços extras de chocolate que as outras crianças não ganhavam.
De portas trancadas e janelas com grades.
De luxo e indiferença.
De saber que não teria escapatória de um homem com tal poder.
E, depois, de correr sem olhar para trás.
— Demetria… sei que você está aqui.
Estremeceu e as imagens desapareceram. A porta da frente estava muito longe. Tudo que podia fazer era rezar para que a atendente do 911 mandasse ajuda antes que fosse tarde demais. Reunindo toda a sua coragem, apontou o revólver para a porta da cozinha.

Avery Dawson achava-se diante de um sinal fechado quando seu telefone celular tocou. Atendeu e foi com surpresa que ouviu a voz da atendente da Delegacia Central.
— Investigador Dawson, temos uma mensagem para o senhor que preferimos não passar pelo rádio. Uma mulher ligou para o 911 há poucos minutos e identificou-se como Demetria Jonas. Pediu que lhe dissesse que o marido dela levou um tiro e que ¨eles¨ estão dentro da casa, que foram buscá-la.
Oh, droga!, praguejou o policial em pensamento. Só então falou:
— Já enviou viaturas e uma ambulância para atender essa ocorrência?
— Já, há uns dois minutos.
— Comunique-se com eles e diga que estou a caminho.
Desligou e pôs o celular no consolo.
— Demetria Jonas acaba de ligar para o 911 — disse ao parceiro.. — Joseph foi ferido com um tiro e no momento da chamada, de acordo com a atendente, havia intrusos na casa deles.
Ramsey retirou a luz do porta-luvas e afixou-a na capota do carro, ao mesmo tempo que Dawson ligava a sirene.
O carro descreveu um U no meio da rua e saiu a toda velocidade.
Depois de tudo que a promotoria de Denver fez com Joseph Jonas, ele não pode estar morto, foi a espécie de prece do investigador.
No momento em que viraram a esquina, o carro derrapou, e Ramsey, que empunhava seu revólver e verificava se estava carregado, pediu:
— Vá com calma, parceiro. Há laminas de gelo nas ruas e elas estão muito escorregadias.
Mas Dawson continuou a dirigir na mesma velocidade. O gelo que se danasse. O sistema havia deixado aquele casal no desamparo uma vez e isso não iria acontecer mais.

A silhueta de dois homens recortaram-se no umbral da porta da cozinha da casa de Demi. Ela deslizou alguns centímetros para a direita, tomando o cuidado de se colocar entre eles e a porta de saída. Respirou fundo, mirando primeiro o homem que estava armado com uma pistola. Ele era-lhe vagamente familiar, com os imensos ombros quadrados e o rabo-de-cavalo de cabelos grisalhos descendo pelas costas.
Duke Needham, o braço direito de Pharaoh, o segundo homem no comando depois dele.
Hesitou por um instante, depois manteve o revólver apontado para ele.
Quando Pharaoh a viu, ficou perturbado. Como era linda! Mas, então, o olhar dele deslizou do rosto dela para o revólver que empunhava. franziu a testa. Ali estava uma coisa que não esperava. Deu um passo à frente e no mesmo momento Demi mkveu-se, passando a mirá-lo. Ele parou, chocado. O olhar dela parecia tão…
Ele sentiu o peito apertar. Por falta de palavra melhor, tudo que pode pensar era que a expressão de Demetria era a de uma morta. Tentou sorrir e falou com suavidade, como um pai falando com a filha.
— Demetria… o que está fazendo? Largue esse revólver.
Um brilho passou pelos olhos dela, que não se mexeu. No entanto uma reação nervosa interrompera por um segundo a sua concentração.
— Vamos, Demetria. Você não pode atirar em mim. Lembra-se de quem sou? Sou o mesmo que a consolava quando você chorava. Eu lhe ensinei a amarrar os cordãos dos sapatos. Trancei seus cabelos e li histórias para você quando estava doente. Eu a amo, Demetria. Você me pertence.
Lágrimas brilharam nos olhos de Demi.
— Eu confiei em você… antes. Mas olhe o que fez. Levou-me embora da minha casa… separou-me do meu marido. Roubou dois anos da minha vida e da minha inocência. Isso não é amor, é obsessão.
Ela respirou ofegante quando Duke distanciou-se um pouco de Pharaoh.
— Não se mexa! — gritou e apontou para a cabeça de Duke de novo.
Needham ficou tenso. Com menos de três metros entre eles, se ela atirasse bem dificilmente erraria.
Pharaoh respirou fundo. A coisa estava mais complicada do que esperava. Ergueu a mão e deu um passo à frente. Àquele movimento, Demi voltou a apontar o revólver para ele, e nesse momento Duke avançou sobre ela.
Antes que Pharaoh pudesse piscar, Demi disparou dois tiros em rápida sucessão. As pernas de Duke dobraram, primeiro a direita e em seguida a esquerda, no momento em que as balas entraram nos joelhos e saíram por trás, estraçalhando ossos e músculos. A pistola que ele segurava caiu e deslizou pelo chão. Demi chutou-a para longe dele, voltando ao mesmo tempo a mirar Pharaoh.
Os gritos agoniados de Duke de repente encheram o hall, tornando impossível qualquer conversa coerente. Aturdido, Pharaoh só conseguia sentir descrença do que Demetria fizera com seu assecla. Não havia medo no rosto dela, apenas fúria. Ele pensou em Joseph Jonas, caído na neve, e só então ocorreu-lhe que sua vida estava sendo ameaçada.
— Demetria, não faça isso… — pediu, abriu os braços para demonstrar que estava desarmado. — Não quero machucar você.
Os gritos de Duke foram baixando até se transformarem em gemidos.
Demit eve a impressão de ouvir sirenes à distância, mas não podia ter certeza.
O sangue… Havia sangue por todo lado.
Ninguém a avisara sobre o sangue quando comprara aquele maldito revólver e quando treinara.
— Escute, Demetria…
Pharaoh deu mais um passo na direção dela, que segurou o revólver com mais firmeza e aproximou-se um pouco mais da porta.
— Você me estuprou, seu maldito!
Ele ficou paralisado diante daquelas palavras.
— Nunca!
— Estuprou, sim! Estuprou! Lembro-me do peso do seu corpo em cima do meu. Vi a expressão dos seus olhos. Eu sei, Pharaoh, eu sei!
As palavras dela soaram como gemidos.
— Não Demetria. Não. Eu nunca a toquei desse modo. A única vez que o fiz você gritou… — A voz dele tremia. — Parei quando você gritou.
— Não acredito em você — murmutou ela, percebendo que sua determinação diminuia. — Manteve-me presa por dois anos naquele quarto.
— Eu lhe dei tudo — argumentou ele. — As melhores roupas, as melhores comidas, tudo que há de melhor!
— Sem a liberdade, tudo é nada, Pharaoh.
O rosto dele deu a impressão de desfazer-se. Também ouvira as sirenes que se aproximavam. Ficou dividido entre realizar seu plano e fugir enquanto havia tempo.
Algumas cenas de sua vida sucederam-se, rápidas, em sua mente. Quando criança, ele permanecera isolado, como se não fizesse parte das brincadeiras, como se não fizesse parte da vida. Era sempre a mesma coisa. Não sabia o que era ser amado, tinha que lutar para se manter vivo.
Então, surgira Demetria.
Estremeceu, amaldiçoando-se pela fraqueza que aquele amor trazia. Pensou em Alejandro e na Colômbia, na riqueza e no poder que o esperavam lá. Com um suspiro que vinha do coração, tirou um revólver do bolso e mirou o peito de Demi.
Ela arquejou e deu um rápido passo para trás, porém o cano se sua arma manteve-se na mira.
— Você pode atirar — disse — mas eu também posso. No pior dos casos nós dois poderemos morrer, no melhor, ficaremos apenas feridos. De qualquer maneira, você não pode escapar. Foi apanhado, Pharaoh. Acabou-se. Pare com isso… deixe-me sair daqui.
Ele balançou a cabeça, como um animal ferido procurando uma saída.
— Mas você não entende! — Você é meu amor… a minha sorte. Sem você tudo estará acabado, de qualquer jeito.
— Então, que seja — sussurrou Demi e firmou a mira.
Nesse momento a porta da frente foi escancarada a ponto de bater contra a parede. A voz de Joseph soou enfraquecida quando ele se colocou entre a esposa e a arma de Pharaoh.
— Não atire! — implorou. — Pelo amor de Deus, não mate Demetria. Ela está esperando um filho.
O revólver tremeu na mão de Pharaoh.
— Um filho?
Joseph caiu de joelhos, depois seu corpo desabou no chão.
— Por favor — voltou a implorar. — Não a machuque.
Demi largou a arma e ajoelhou-se ao lado dele. Suas mãos envolveram-lhe o rosto, em seguida seguraram-lhe as costas, tentando deter a hemorragia, depois o rosto de novo.
— Não morra, Joseph Jonas! Pelo amor de Deus, não morra!
Ele gemeu ao virar-se de lado. Então, pôde ver o choque estampado no rosto de Pharaoh Carn. Ela ergueu-se de um salto e correu para ir buscar algo que servisse de tampão para o ferimento de Joseph.
— Pare! — gritou Carn.
Instintivamente, acompanhou-a com o revólver. Ela obedeceu, porém havia fria determinação em seus olhos.
— Vamos, Pharaoh, atire em mim e desapareça da minha vida! — Apontou Joseph. — É esse o homem que amo. Perdi a memória, porém não me esqueci dele. Esqueci de você.
As sirenes soavam mais próximas e Pharaoh compreendeu que se tratava de momentos, agora. Seu dedo tremeu no gatilho. Conseguira tudo que queria na vida.
Poder.
Dinheiro.
Respeito.
Seu peito apertou-se.
Tudo, menos ela.
Olhou para o ventre de Demetria. Dali alguns meses estaria crescido por causa do bebê. O filho de outro homem. Tentou sentir ódio, mas não conseguiu.
Sua voz soou áspera, com amarga recriminação.
— Você vai dar um filho a ele.
Foi nesse instante que Demi compreendeu o significado daquela situação. A indignação de Pharaoh era real. Se ele estava se sentindo frustrado, queria dizer que a criança que trazia em si não era dele. Ele dissera a verdade. Não a estuprara. Um profundo alivio a envolveu.
— Eu queria ter continuado sua amiga para sempre — murmurou.
Ele abriu os braços, num gesto de desespero.
— Quer dizer… se eu…
— Lembra-se daquele dia, há dois anos, quando você entrou aqui na minha casa, Pharaoh?
Aturdido, ele não respondeu, apenas piscou.
— Tudo que você precisava era ter dito ¨olᨅ — acrescentou ela.
Ele emitiu um gemido abafado. Que se lembrasse, aquela era a primeira vez que tinha vontade de chorar. Falou com voz embargada.
— Eu não estuprei você…
Nesse instante, foi como se o coração de Demi se partisse pelo menino que ele havia sido e pelo homem que se tornara, pela amizade que perdera e pelo horror que passara nas mãos dele.
Olhou para Joseph, estendido no chão, e de novo para Pharaoh. Lágrimas desceram dos seus olhos quando implorou pela vida dele.
— Por favor… deixe-me ajudar o meu marido. Não poderei viver sem ele.
Um sorriso amargo ergueu os cantos da boca de Pharaoh.
— Sim… — murmurou num tom cansado — eu sei o que você quer dizer…

Avery Dawson conhecia um caminho mais curto. Estava a meio quarteirão da casa dos Jonas quando uma ambulância parou diante dela. Um carro
desconhecido, cinzento, ainda estava parado na lateral da casa que dava para a garagem. Ele empunhou o revólver ao descer.
— Vá pelos fundos — disse a Ramsey. — Eu vou pela frente.
— Não é melhor esperarmos aqui?
— Droga, não! Poderá ser tarde demais.
Correu por um lado da entrada da casa, abrigando-se atrás de um arbusto, depois de uma árvore e, assim, foi se aproximando cada vez mais da porta que estava escancarada e com marcas de sangue. Sentia-se aflito, ansioso, mesmo, e em sua mente desfilavam cenas que não queria aceitar.
Meu Deus, não permita que eles estejam mortos! Era tudo que conseguia pensar.
Deslocando-se agachado, deixou o abrigo de outra árvore no momento em que um homem saiu da casa pela porta da frente. Viu o rosto dele, a arma em sua mão, mirou-o e gritou:
— Polícia! Largue sua arma. Você está cercado!
Pharaoh Carn girou sobre os calcanhares. Antes de apertar o gatilho soube que era tarde demais. A primeira bala acertou-o no alto do ombro. Seu tiro perdeu-se no ar e ele ficou atordoado pela dor. O revólver que segurava caiu de sua mão e desapareceu na neve. Ele olhou para o chão, desesperançado. Sem perceber no que aquele gesto poderia implicar, ele enfiou a mão por dentro do capote para apalpar o ferimento.
Dawson imaginou que fosse pegar outra arma e agiu de acordo.
A segunda bala atingiu um ponto vital, dando-lhe apenas alguns segundos para pensar. Atrás de si ele ouviu o grito horrorizado de Demetria. Voltou-se, a mão estendida na direção da voz dela. Então, tudo passou-se como em câmera lenta.
O policial vinha na direção dele gritando alguma coisa que não conseguia ouvir.
A luz do sol começou a desaparecer.
As batidas do seu coração passaram a ecoar nos ouvidos e ele viu que o chão se aproximava de seu rosto.
Sentiu-se caindo… caindo.
E passou a ouvir seu coração bater cada vez mais fraco e devagar.
Imagens explodiram em sua mente.
Demetria com quatro anos, segurando o cobertorzinho e chupando o polegar.
Demetria aos oito anos, rindo quando ele a fazia subir bem alto na gangorra.
Demetria aos dez, dando-lhe a fita para amarrar-lhe a trança.
Demetria…
Demetria.
A neve envolveu-o como uma coberta enquanto os braços frios da morte amorteciam sua queda.
Quando os tiros soaram, Demi gritara e aninhara-se junto ao corpo inerte de Joseph. Em seguida, o silêncio foi pior do que os disparos. O som de passos correndo em direção do pórtico a fizeram sobressaltar-se e quase entrar em pânico. Pegou o revólver que soltara no chão e apontou-o, colocando-se entre Joseph inconsciente e o barulho.
E foi assim que Dawson e Ramsey a encontraram , suja de sangue e tensa, com a arma junto da cintura mirando a primeira pessoa que aparecesse.
— Polícia! Polícia! — gritaram os dois ao mesmo tempo.
Avery correu para ela e, com a arma em posição de tiro Ramsey gritou:
— Demetria, há mais alguém na casa?
Ela apontou para Duke Needham, sem sentidos quase junto à parede oposta.
— Só ele…
Então, começou a tremer.
Ramsey aproximou-se com cuidado, deu uma espiada nos ferimentos de Needham e passou a olhar para Demetria com novo respeito.
— Puxa! A senhora o fez parar mesmo, não?
Ela colocou o revólver de lado e apoiou a cabeça de Joseph no colo. Suas mãos e roupas estavam manchadas com o sangue dele.
— Ajude-o. Ele foi baleado.
Dawson fez um sinal para o parceiro.
— Avise o pessoal da ambulância que podem entrar, que o local está seguro. Comunique à Central que o problema aqui já está resolvido e que mandem outra ambulância, além do legista e do pessoal da técnica.
Ramsey ainda não chegara à porta e Dawson já verificava a pulsação no pescoço de Joseph.
— Ele ainda está conosco… — disse, dando um leve aperto no braço de Demi. — Foi um grande susto, mas ainda vamos tê-lo por aqui durante muitos e muitos anos. Sabe? Com uma mulher como a senhora, qualquer um pode apostar até seu último dólar que este homem vai viver.
O policial ergueu-se e aproximou-se de Duke Needham, verificando suas condições e pegando a arma que ele soltara ao cair.
Segundos depois, paramédicos entraram e Demetria foi afastada de Joseph. Dawson amparou-a pelo cotovelo e levou-a até a cadeira mais próxima.
— Há alguém que devemos avisar? — perguntou.
Os dentes dela batiam tanto que mal conseguiu responder.
— Os pais de Joseph. Eles precisam saber. — De repente as forças dela desabaram e Demi cobriu o rosto com as mãos. — Oh, meu Deus! Se alguma coisa acontecer com Joseph por minha causa…
Dawson a fez encará-lo.
— Qualquer coisa que aconteça com seu marido será por culpa de Pharaoh Carn e não sua. Não somos responsáveis pelas ações dos outros, apenas pelas nossas.
Ela estremeceu, em seguida dominou-se e foi até o telefone. Franziu as sobrancelhas quando ouviu sinal de ocupado. Estranhou, até que lembrou-se.
— Deixei o telefone fora do gancho, no meu quarto.
— Sente-se… — ordenou ele. — Vou lá desligar.
Antes que o policial voltasse ajeitaram Joseph numa maca e aprontaram-no para o transporte até o hospital. Demi ergueu-se e foi para junto do marido. Tocou-lhe a face, depois o cabelo.
— Não morra, Joseph Jonas. Levei dois anos para voltar à nossa casa, portanto não se atreva a morrer!
Dawson, que voltara, afastou-a com delicadeza e os paramédicos levaram Joseph.
— Seu telefone já está funcionando — disse ele. — Por que não liga para os pais do sr. Jonas? Depois, quem sabe a senhora quer se limpar um pouco, antes que eu a leve ao hospital?
Demetria olhou para as próprias roupas e as mãos sujas de sangue. Desanimada, voltou-se e olhou-o fixamente.
— Acabou, não é, Dawson?
Ele fazia que sim quando o levou a abraçá-la. Assim que o fez, Demi começou a deslizar para o chão, completamente sem forças. Se o policial não a estivesse abraçando, ela cairia. Apoiou o rosto na lã macia do capote dele.
— Ajude-me…
O coração calejado do investigador de policia confrangeu-se.
— Não vou deixá-la sozinha, eu prometo. Não vou deixá-la sozinha…
Ramsey começou a levá-la na direção do quarto.
— A outra ambulância já deve estar chegando. — Ele ergueu a cabeça e cheirou o ar. — Está sentindo o cheiro de algo queimando?
Demi soltou-se das mãos dele.

— A sopa! Acho que deixei queimar nosso jantar…

Um comentário:

  1. AOS PRANTOS AQUI...
    NÃO ACREDITO QUE ACABOU :(
    TEM EPILOGO? ESPERO QUE SIM
    TÃO PERFEITA ESSA FANFIC ❤

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